França confirma a morte de mentor dos ataques a Paris em Saint-Denis

Foto sem data mostra o belga Abdelhamid Abaaoud, suspeito de ser mentor dos ataques terroristas em Paris, morto ontem em ações policiais em Saint-Denis (Foto: Reuters)
Foto sem data mostra o belga Abdelhamid Abaaoud, suspeito de ser mentor dos ataques terroristas em Paris, morto ontem em ações policiais em Saint-Denis (Foto: Reuters)

Autoridades da França confirmaram nesta quinta-feira (19) que Abdelhamid Abaaoud, suposto mentor dos atentados em Paris, foi morto ontem nas ações antiterror em Saint-Denis, ao norte da capital.

De origem belga, o corpo do jihadista foi “formalmente identificado após comparação de traços papilares”, anunciou hoje a Procuradoria da República em Paris, de acordo com informações da imprensa francesa.

Segundo o comunicado, houve compatibilidade nas impressões digitais de Abdelhamid Abaaoud. “Foi o corpo que encontramos no prédio, coberto de balas”, diz a Procuradoria.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, em pronunciamento há pouco, disse: “Abdelhamid Abaaoud desempenhou um papel determinante nestes ataques. A investigação irá determinar a implicação desse belgo-marroquino e permitirá reconstituir o percurso do terrorista originário de Molenbeek que se juntou à Síria em 2014”.

Os atentados realizados em Paris na última sexta-feira (13), com 129 mortos e mais de 350 feridos, são considerados pelo ministro “um dos maiores ataques efetuados em solo europeu”.

Em um primeiro momento, acreditava-se que Abaaoud estava na Síria, país onde os ataques teriam sido planejados. O rumo das tentativas de localizá-lo mudou quando foi encontrado um celular dando pistas de que o belga estaria em solo francês.

Até agora não havia sido confirmado que Abaaoud realmente estava em Saint-Denis, localidade alvo das buscas realizadas durante a madrugada e a manhã de quarta-feira.

Dezenas de policiais cercaram um imóvel localizado a cerca de dois quilômetros do Stade de France, e houve explosões e tiroteios a partir de 4h20, no horário local.

Uma mulher que estava em um dos apartamentos do prédio cercado acionou explosivos que mantinha presos ao seu corpo e se suicidou. A agência de notícias AP (Associated Press), citando três oficiais da polícia francesa, afirma que ela era Hasna Aitboulahcen, prima de Abaaoud. Só havia rumores, por enquanto, sobre seu parentesco com o terrorista.

Durante as ações policiais em Saint-Denis, diz a AP, foi perguntado a Hasna onde estaria seu namorado. A resposta teria sido: “ele não é meu namorado”, se suicidando em seguida.

A agência também afirma que os corpos ficaram fragmentados, o que dificultou bastante a identificação.

Oito pessoas foram presas, todas sob suspeita de ligação com os ataques, e ainda não foi divulgado quem elas são.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, logo depois da confirmação da morte de Abaaoud, elogiou a polícia e chamou o belga de “cérebro dos ataques”.

“Eu quero agradecer o trabalho excepcional de nossos serviços de inteligência e da polícia”, disse Valls.

Nascido europeu, jovem era considerado terrorista

Abdelhamid Abaaoud nasceu em 1987 e morou no bairro de Molenbeeck, subúrbio de Bruxelas (Bélgica). Segundo as investigações, ele era o líder de uma célula terrorista que pretendia agir em território belga logo após o ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo”, em Paris, no começo deste ano. O grupo foi descoberto em Verviers (Bélgica), dias depois do atentado.

Alvo de um mandado de busca e apreensão, Abaaoud estava desaparecido desde então.

No início de 2014, jornais belgas divulgaram que ele teria levado para a Síria seu irmão Yunis, de 13 anos, apelidado na época de “o jihadista mais jovem do mundo”.

Abaaoud também apareceu em um vídeo de propaganda do Estado Islâmico, com barba pré-púbere e um turbante do tipo afegão, dirigindo uma caminhonete arrastando corpos mutilados. Diante da câmera, ele se diz orgulhoso de cometer atrocidades.

De acordo com o jornal flamengo “De Morgen”, Abaaoud tinha o perfil de um jovem de classe média e foi enviado pelo pai a um excelente colégio no sul de Bruxelas.

“Tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica, eu diria. Abdelhamid não era uma criança difícil e havia se tornado um bom comerciante. Mas, de repente, ele foi para a Síria. Nunca recebi qualquer resposta”, disse seu pai em janeiro, Omar Abaaoud, ao jornal belga “Dernière Heure”.

A família chegou à Bélgica há 40 anos.

“Abdelhamid envergonhou a nossa família. Nossas vidas foram destruídas”, afirmou. “Por que, em nome de Deus, ele mataria belgas inocentes? Nossa família deve tudo a este país”, disse o pai do jovem.

UOL

 

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