Foto de mala mostra como militar brasileiro transportou 39 kg de cocaína em avião da FAB

IG/JN

Droga estava sem nenhum tipo de camuflagem e imagem foi feita em raio-X do aeroporto de Sevilla

O segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, surpreendeu as autoridades espanholas por sequer ter tentado camuflar os 39 kg de cocaína que levava na bagagem, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Mala estava sem camuflagem e tinha 37 pacotes de cocaína – Reprodução/El País

O militar integrava a equipe de apoio à comitiva do presidente Jair Bolsonaro quando foi flagrado “por acaso” no raio-X do aeroporto de Sevilla, no sul da Espanha. O jornal El País obteve uma foto da bolsa de mão do brasileiro, preenchida com nada além de 37 pacotes de cocaína.

Rodrigues foi preso na última terça-feira no controle aduaneiro do terminal da cidade espanhola, que serviria de parada para a viagem de Bolsonaro ao Japão, onde o presidente participou da reunião do G20. Depois da prisão, a comitiva presidencial mudou a rota para Portugal. A polícia tratou o voo em que estava Rodrigues como um “vuelo caliente” por vir de uma rota historicamente usada pelo narcotráfico .

No raio-X, agentes desconfiaram dos pacotes organizados na mala de Rodrigues. Ao abrirem a bolsa, encontraram a maioria da droga envolta em material bege. Um dos pacotes tinha invólucro amarelo. Segundo o El País, os guardas civis ficaram “estupefatos” com as nulas precauções tomadas pelo militar para ocultar o crime.

Bolsonaro determinou que o Ministério da Defesa colaborasse com as investigações da Polícia da Espanha. Nas redes sociais, pediu “punição severa” para o militar e afirmou que o episódio era “inaceitável”. Ao voltar do Japão, o presidente lamentou que o segundo-sargento não tivesse sido preso na Indonésia, onde o carioca Marco Acher foi condenado e fuzilado por tentar entrar no arquipélago com 13 quilos de cocaína, em 2015.

A FAB cumpriu mandados de busca e apreensão no imóvel funcional onde morou o segundo-sargento, em Brasília, e também no endereço mais recente do militar, em Taguatinga, no Distrito Federal. As buscas, ocorridas na segunda-feira, incluíram um cão farejador e foram acompanhadas pela promotora do MPM. Foram as primeiras diligências desde a instauração do inquérito.

O prazo para a conclusão do inquérito é de 40 dias, prorrogável por mais 20 dias. O procurador-geral da Justiça Militar, Cassio Miranda, disse ao Globo que o caso do suboficial é de “gravidade extrema”.

Rodrigues, de 38 anos, está no Centro Penitenciário Sevilha 1, onde cumpre prisão provisória em meio a uma investigação de crime contra a saúde pública — categoria que inclui o tráfico de drogas na Espanha.

O militar divide com outro preso uma cela de 18 metros quadrados, sem televisão. A unidade prisional abriga cerca de 1.300 detentos: presos pertencentes a forças de segurança e criminosos e suspeitos de menor periculosidade.

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