Força-tarefa quer reabrir estádio do Morenão ao público ainda em fevereiro

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Foto: Silvio Ferreira

O estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, recebeu na manhã desta sexta-feira (5), a visita de uma força-tarefa formada por representantes do Ministério dos Esportes, do governo estadual, da bancada federal de Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros, que avaliaram as condições das instalações do estádio e as intervenções emergenciais necessárias para liberar a sua reabertura parcial. Questionado se a criação da força-tarefa será uma “luz no fim do túnel” para a retomada da utilização do Morenão, o representante do Ministério dos Esportes, arquiteto Pedro Dias, brincou:

“Não existe nem túnel. O estádio está em condições bastante razoáveis. As intervenções que têm que ser feitas são de pequena monta. O ministro [dos Esportes], Jorge Hilton, está apoiando bastante esta iniciativa do governo local […] no sentido de buscar melhorias no estádio ao longo de 2016. Afinal, Campo Grande era pra ter sido, inclusive, uma das capitais na Copa do Mundo”[mas acabou preterida, por Cuiabá, no Mato Grosso, na definição das sub-sedes], ponderou.

Segundo o arquiteto, “as instalações sanitárias devem ser modernizadas e a acessibilidade garantida”. Pedro Dias explicou que ainda não existe uma previsão orçamentária para a recuperação, que ainda dependerá dos levantamentos que serão feitos, para depois se buscar os recursos para a iniciativa. Para o arquiteto, a velocidade com que o ministro determinou uma visita ao estádio, “demonstra a boa vontade e o interesse em atender vocês”.

Ponderamos com o presidente da Fundesporte, que algumas das principais críticas feitas aos gastos realizados com os estádios reformados ou construídos durante à Copa do Mundo foi – além dos indícios de superfaturamento e corrupção amplamente apresentados pela imprensa -, o temor de que as estruturas em que se investiu tanto dinheiro, se tornariam depois “elefantes brancos”. Nesse sentido, questionamos ao presidente da Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul), Marcelo Ferreira Miranda, como garantir que os recursos empregados na reforma do estádio tenham uma boa relação custo-benefício.

“Essa é a importância dessa força-tarefa. Nossa preocupação não é apenas liberar o Morenão para o campeonato estadual, mas temos também a preocupação de ter uma utilização auto-sustentável do estádio. Daí a importância de buscarmos recursos federais para a revitalização de todos os espaços do estádio, para termos uma utilização que justifique o investimento que se faz. Eu acredito que nós vamos conseguir recuperar e conservar esse patrimônio histórico do povo sul-mato-grossense”, afirmou o presidente da Fundesporte, falando em nome do governo do Estado.

De acordo com o presidente da Fundesporte, as medidas visam a retomada ainda neste mês da utilização do estádio: “Vamos fazer as adequações exigidas pelo Corpo de Bombeiros, para dar mais segurança para os atletas e para os torcedores – gradis, proteção, iluminação de emergência, sinalização -, para se Deus quiser liberar o estádio para o primeiro Comerário no dia 28 [de fevereiro]. Nós vamos trabalhar com a arquibancada coberta e com as cadeiras, que é a parte mais confortável, com 10 a 15 mil lugares, o que tranquilamente deve atender ao futebol”, avaliou.

Os integrantes da Força-Tarefa que avalia as medidas emergenciais que serão necessárias para reabrir o Morenão ao público. Expectativa é que parte do estádio seja liberada para o “Comerário” do dia 28 de fevereiro. Foto: Silvio Ferreira

De acordo com o deputado federal, Elizeu Dionísio (SD), “Nós conseguimos juntar na mesma mesa, o Ministério Público Estadual, Corpo de Bombeiros, governo do Estado, Polícia Militar e agora o Ministério dos Esportes, para que nós possamos construir um cronograma para liberar o espaço para ser palco de grandes espetáculos em Mato Grosso do Sul. Existem as questões técnicas, a questão de segurança, mas tem que haver também boa vontade. E é isso que estamos encontrando nas instituições para que nós possamos ter a reabertura do estádio”, considerou o parlamentar.

Para o deputado, “pela magnitude do estádio, qualquer custo é estratosférico. Por isso que estamos construindo o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), para que nós possamos desenhar um cronograma e desembolso tanto do governo do Estado, quanto do Ministério dos Esportes. Nós não temos ainda um levantamento, mas estamos discutindo o projeto, do que será feito de infra-estrutura e de ampliação. Então poderemos saber quanto conseguiremos do governo federal, de contrapartida do Estado e também da iniciativa privada que tem demonstrado boa vontade de investir no estádio, pois esporte é inclusão, e todos têm o interesse de participar”.

O diretor de Atividades Técnicas do do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul,
coronel Eduardo Antônio Francelino dos Santos, avaliou como “bem sólida e precisa apenas de alguns ajustes para voltar a atender à sociedade com segurança”.

A prioridade, segundo o coronel, é “atualizar o projeto de prevenção de incêndio e pânico, garantindo rotas de fuga, combate à incêndio, iluminação de emergência. Como isso leva tempo, é preciso tomar algumas medidas, com outras instituições, para a liberação mais rápida e parcial do estádio, protegendo áreas com possibilidade de quedas de grande altura, com guarda-corpos. No fosso, será feito um guarda-corpo para proteção do pessoal de trabalho no campo.”

De acordo com o coronel, “é nessa visão que será tratado todo o Morenão, para garantir que o local – liberado – esteja em condições para uso público. Vai levar um tempo razoável para que toda instalação do estádio seja totalmente liberada, mas já demos o primeiro passo”, considerou.

Silvio Ferreira

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