Fiéis, líderes de movimentos sociais e mochileiros passam por Corumbá para ver o papa

Vale tudo para ver o papa. Eles vêm de diferentes regiões do País e passam pelo posto da Polícia Federal na fronteira a caminho de Santa Cruz de laSierra, a 620 km de Corumbá, onde Sua Santidade reza missa campal nesta quinta-feira às 10h na praça do Cristo Redentor. São esperadas mais de 1 milhão de pessoas de todas as partes do mundo. Além da missa, um dos eventos mais aguardados será o encontro do papa com representantes dos movimentos sociais e populares da América do Sul.

Movimento de turistas que seguem para ver o papa dobrou no posto de migração da Polícia Federal
Movimento de turistas que seguem para ver o papa dobrou no posto de migração da Polícia Federal

É exatamente para esse encontro que o gaúcho Delclécio Lorenzi, de 61 aos, se deslocou desde Porto Alegre, em ônibus fretado. “O papa Francisco é único, humilde, aberto às causas sociais e ganha simpatia mesmo dos que não são católicos”, definiu Delclécio, na fila da PF, ao lado da colega Simone Zane. “Para ver o papa, não medimos distância, ele é importante na política de integração entre nações e já intercedeu nas relações entre Estados Unidos e Cuba”, acrescentou.

Integrante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Delclécio saiu sábado de Porto Alegre, em ônibus fretado para 30 pessoas, todas, como ele, líderes de movimentos sociais e populares, quilombolas, nações indígenas do Rio Grande do Sul, para quatro dias de viagem. O ônibus chegou na noite de segunda-feira a Corumbá e partiu na terça à tarde para Santa Cruz de la Sierra.

Integrantes de movimentos sociais gaúchos, Delclécio e Simone participarão de encontro com o papa
Integrantes de movimentos sociais gaúchos, Delclécio e Simone participarão de encontro com o papa

Na excursão também viajam a artesã Edegi Gomes, presidente da Associação da Quilombola Peixinho das Botinhas, de Viamão, litoral gaúcho; a educadora social Lédis de Souza, da Quilombola Rincão dos Martinianos, de Restinga Seca, e Reginete Bispo, integrante do Movimento Mulheres Negras de Porto Alegre. “Não conhecemos a Bolívia, será uma nova experiência, ficaremos alojadas em uma escola de Santa Cruz”, contou Lédis.

Os mochileiros paulistas Maurílio Frattini e Bruna Girotto estão no mesmo caminho e foram surpreendidos com a fila na fronteira. Saíram de Presidente Prudente e na terça cruzaram a fronteira para a viagem de trem, que leva 17 horas de Puerto Quijarro a Santa Cruz. O destino final é Matchu Pichu, no Peru. De férias, o médico veterinário e a advogada planejaram há bastante tempo desvendar os mistérios do altiplano andino, e não contavam que no percurso teriam oportunidade de ver um ilustre visitante, o papa Francisco.

Líderes de Quilombolas e Movimento de Mulheres Negras, Lédis e Reginete fazem viagem de quatro dias
Líderes de Quilombolas e Movimento de Mulheres Negras, Lédis e Reginete fazem viagem de quatro dias

Roteiro papal inclui visita a 5.300 presos

O papa fica de quarta a sexta-feira na Bolívia, entre La Paz e Santa Cruz de laSierra. Desembarca nesta quarta-feira no aeroporto de El Alto às 16h15 e segue em carro aberto para La Paz, onde descansa na Arquidiocese. Em seguida visita o bairro Achachicala, área de LasNieves, e vai ao Palácio do Governo para encontro com o presidente Evo Morales, e mais tarde à Catedral de La Paz, para encontro com autoridades e sociedade civil. Às 20h o papa embarca em voo para Santa Cruz, onde se hospeda na residência do cardeal JulioTerrazas.

Na quinta-feira (09), celebra missa campal às 10h na praça do Cristo Redentor de Santa Cruz. Às 16h participa de encontro na Escola Dom Bosco com sacerdotes, seminaristas e outros religiosos. Às 17h30 se reúne com líderes de  movimentos sociais e populares na Fexpocruz. No dia 10, sexta, visita a penitenciária de Palmasola, que conta com uma superlotação de 5.300 detentos. Em seguida se reúne com bispos na Igreja Paroquial de Santa Cruz. Despede-se no aeroporto ViruViru às 12h45 e segue para o Paraguai.

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