Feminicídio contra Pâmela é ‘concretizado’ hoje com sua morte após 32 dias internada

Lúcio Borges

O Feminicídio contra a recepcionista Pâmela Jennifer, 32 anos, foi ‘concretizado’ hoje, após um mês de sua pratica pelo ex-marido Jhonny Souza, 33 anos, em Campo Grande. A jovem morreu na madrugada desta terça-feira (25) na Santa Casa da Capital, onde estava desde dia 23 de março, quando foi ferida na cabeça com um tiro disparado pelo rapaz, no seu local de trabalho, na Avenida Mascarenhas de Moraes, bairro Monte Castelo, região norte da cidade. A vítima e o agressor foram casados por 11 anos, com relacionamento conturbado, principalmente nos últimos quatro anos, onde ela até registrou sete boletins de ocorrência contra o homem, sendo o último no dia do crime. Deste relacionamento, eles tiveram uma filha, hoje com cinco anos, mas ele não aceitava o fim do casamento a cerca de um ano. O tipo de crime contra a mulher é o segundo nesta semana, apesar de Pamela estar a mais de um mês do ocorrido.

Pâmella foi ferida com tiro na nuca – Foto: Arquivo Pessoal

O tiro que atingiu sua nuca passou pela primeira e segunda vértebra da coluna de Pamela, levando-a ficar internada há 32 dias no hospital, onde acabou por não resistir e indo a óbito hoje, por volta da 1 hora da madrugada, devido a uma parada cardiorrespiratória. Ela ficou em coma durante a maior parte do tempo que ficou hospitalizada, depois de ser ferida na nuca pelo tiro disparado pelo ex-marido. No dia 17 de abril, ela tinha deixado o CTI (Centro de Terapia Intensiva) do hospital, os sedativos tinham sido retirados, mas Pâmela não tinha acordado.

Logo após ferir a mulher, o autor dos disparos tentou o suicídio atirando contra o queixo, sendo internado no mesmo hospital da vítima. Após 13 dias internado e uma operação, ele deixou o hospital escoltado sendo levado para prestar depoimento na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Piratininga.

Relembre o caso

Na tarde do dia 23 de março, o ex-marido procurou a vítima em seu local de trabalho, na Avenida Mascarenhas de Moraes. Ela chegou a tentar se esconder do homem que, armado, atirou contra a vítima e depois tentou suicídio.

Marcas de sangue no chão da loja (Foto: Paulo Francis)

Equipes do Batalhão de Choque, Força Tática da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros estiveram no local. A mulher e o agressor foram levados para a Santa Casa e a tentativa de feminicííio foi registrada e é investigada pela Deam (Delegacia de Atendimento a Mulher).

A mulher já tinha registrado sete boletins de ocorrência contra o agressor por violência doméstica. O último caso foi denunciado à polícia na manhã do mesmo dia, por ameaça e também por ele descumprir a medida protetiva que a vítima tinha. O ex-marido era agressivo, violento e não queria aceitar o fim do casamento, segundo informações da vítima feitas no último boletim de ocorrência.

BOs de violência

Conforme declaração da mulher à polícia feita na manhã do dia do crime, duas horas antes de sofrer a tentativa de feminicídio, o ex-marido era agressivo, violento e não queria aceitar o fim do casamento.

De acordo com o relato feito na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), ela já havia registrado outros seis boletins de ocorrência contra o ex-marido, em 2009, 2012, 2014, 2015, 2016 e 2017. Mesmo com medidas protetivas de urgência contra o agressor, ele não parou de procurá-la.

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