Exportação de industrializados de Mato Grosso do Sul soma US$ 842,7 milhões

Da Redação/JN

Segundo levantamento do Radar Industrial da Fiems, aumento de 22% corresponde a apenas três meses — de janeiro a março

De janeiro a março deste ano a receita com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul já soma US$ 842,7 milhões, um aumento de 22% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o montante foi de US$ 691,3 milhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems.

Exportação de industrializados já soma US$ 842,7 milhões (Foto: Reprodução/Fiems)

Na comparação de março de 2017 com março deste ano, a receita com a exportação de produtos industriais registrou crescimento de 17%, saindo de US$ 236,8 milhões para US$ 276,2 milhões.

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforça que, no início do ano, já era prevista a retomada do crescimento e os indicadores econômicos começam a demonstrar resultados satisfatórios.

“A queda da inflação e da taxa básica de juros, a Selic, e um cenário internacional favorável fortaleceram a venda de alguns produtos industriais fabricados em Mato Grosso do Sul, tais como o minério de ferro, concentrado em Corumbá, e a celulose e papel, cujo grande polo nacional está em Três Lagoas. Enfim, a indústria vem respondendo bem ao processo de recuperação econômica e nós esperamos avançar ainda mais”, pontuou.

Já o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, acrescenta que esses números indicam que Mato Grosso do Sul mudou de patamar nas exportações.

“No ano passado, uma nova planta de celulose começou a operar, o que colocou esse produto de forma definitiva na pauta de exportações do Estado. Além disso, apesar da crise, o complexo frigorífico expandiu a produção e, claramente, há um aquecimento na demanda mundial pela carne bovina e de aves produzida no Brasil”, destacou.

Ele ainda ressalta que a mineração também recuperou seu espaço na pauta de exportações do Estado, o que ajuda em muito o município de Corumbá. “Saímos da exportação de minério ferro somente para a Argentina e começamos a exportar também para o Uruguai, isso recompõem o nosso volume de exportação de minério. Ou seja, em resumo, o cenário está bastante positivo para os produtos industriais de Mato Grosso do Sul”, garantiu.

Detalhamento

Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, o montante obtido no mês de março é o melhor resultado registrado para o mês em toda a série histórica das exportações industriais de Mato Grosso do Sul. “Quanto ao volume exportado, na comparação mensal, tivemos aumento de 27%, enquanto na comparação anual registramos aumento de 29% em relação a 2017.

Já em relação à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 52% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul, sendo que no acumulado do ano, na mesma comparação, a participação ficou em 70%”, analisou.

Ainda de acordo com ele, os grandes responsáveis por esse bom desempenho continuam sendo os grupos da “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Extrativo Mineral”, “Óleos Vegetais”, “Açúcar e Etanol” e “Couros e Peles”, que, somados, representaram 98,2% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de produtos industriais ao exterior.

No caso do grupo “Celulose e Papel”, a receita no período avaliado foi de US$ 408,5 milhões, crescimento de 67% comparado com a somatória de janeiro a março de 2017, dos quais 97,3% foram obtidos apenas com a venda da celulose (US$ 398 milhões).

Os principais compradores foram a China, com US$ 198,4 milhões, Itália, com US$ 50,1 milhões, Holanda, com US$ 39,1 milhões, Estados Unidos, com US$ 26,3 milhões, e Coreia do Sul, com US$ 15,6 milhões.

“Depois de avançarem até 50% no ano passado, os preços internacionais da celulose seguem em alta em 2018, mas com ritmo mais moderado especialmente na Ásia. No último trimestre do ano passado, a valorização chegou a US$ 90,00 por tonelada no mercado europeu e a US$ 73,00 na China”, informou Ezequiel Resende.

Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida na soma de janeiro a março deste ano foi de US$ 250,6 milhões, uma elevação de 11% na relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 35,8% do total alcançado são oriundos das carnes bovinas desossadas congeladas, que totalizaram US$ 89,7 milhões.

Para esse grupo, os principais compradores foram Hong Kong, com US$ 58,4 milhões, Chile, com US$ 31,5 milhões, Arábia Saudita, com US$ 17,8 milhões, China, com US$ 16,7 milhões, e Japão, com US$ 13,5 milhões.

“Com o consumo doméstico de carne bovina enfraquecido, o mercado externo continua sendo um importante canal de escoamento do produto brasileiro neste ano e, consequentemente, um fator de sustentação aos preços internos da arroba do boi”, ressaltou o economista.

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