Ex-goleiro Bruno diz que está falido, mas nega ser um “tio Patinhas”

O goleiro Bruno depõe durante sessão julgamento no Tribunal de Justiça de Contagem, em Minas Gerais (Foto: TJ/MG)
O goleiro Bruno depõe durante sessão julgamento no Tribunal de Justiça de Contagem, em Minas Gerais (Foto: TJ/MG)

O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio, afirmou nesta terça-feira (5) que está falido e, ao contrário do que pessoas imaginam, ele não tem dinheiro guardado.

“Quando se fala em Bruno, tem muita gente que acha que o Bruno é um tio Patinhas da vida, acha que o Bruno tem uma fortuna guardada lá fora. Eu perdi tudo, financeiramente zerado”, declarou o jogador em entrevista concedida à Rádio Itatiaia.

Atualmente, Bruno cumpre pena na APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado) de Santa Luzia, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Questionado se houve exploração indevida por causa do caso Eliza Samudio, o jogador afirmou que muitas pessoas aproveitaram da sua situação.

“Não vou citar nomes, não é legal, mas quando fui preso (em 2010), logo no início do meu caso, lógico que você fica psicologicamente muito abalado e você acredita em qualquer coisa que o advogado fala. Está desesperado. Então pessoas aproveitaram muito dessa situação, no início’, afirmou Bruno.

Segundo o jogador, o acesso a apenas um advogado causou “uma estranheza muito grande” a ele.

O ex-capitão do Flamengo, no entanto, projeta um futuro bem diferente do atual e credita isso ao cumprimento da pena na unidade prisional, onde está desde setembro do ano passado. Na entrevista, ele não fez nenhum comentário sobre a morte da ex-amante e pela qual foi condenado.

“Se eu estivesse em um presídio comum, seria muito mais difícil de alcançar. O presídio comum deixa muitas marcas. (…) A gente pode pagar o nosso erro com dignidade. E eu só fui recuperar essa dignidade dentro da APAC”, declarou.

Bruno fez críticas ao sistema prisional convencional e disse acreditar que ainda terá chance de se reerguer por ter se transferido para o local.

“Eu só fui voltar a sonhar depois que fui para a APAC”, declarou, para em seguida complementar: “Eu acho que o sistema comum tinha que acabar.

Aquilo não recupera ninguém. Todo dia só se alimenta de coisas ruins. Lá se fala só de crime, maldade e vingança. Na APAC não, aqui se mata o criminoso e se recupera o homem”, afirmou.

Bruno afirmou que ainda irá conquistar “muitas coisas” na vida porque “é novo”.

“Penso num futuro melhor para mim e para a minha família. Acredito que isso vai ser a consequência do que eu vou plantar e, com o passar do tempo, eu tenho certeza que vou recuperar’, salientou.

Segundo ele, na atual unidade prisional, teve a oportunidade de voltar a estudar, e a participar de cultos religiosos.

Mágoa

O ex-goleiro ainda disse guardar mágoa do grupo de jogadores do Flamengo e do qual fazia parte. Sem citar nomes, ele afirmou ter se decepcionado com ex-companheiros.

“Esperava ter recebido pelo menos uma carta, por exemplo, de algum jogador do Flamengo por tudo que eu fiz entre nós jogadores. Eu tomei muita pancada defendendo muita gente ali que, hoje, eu sei que não merecia. Eu comprei uma briga muito grande, me envolvi em certos assuntos, em polêmica que não eram meus problemas, mas eu me envolvi porque era amigo”, disparou.

Em 2010, antes de ser acusado da morte da namorada, ele deu uma declaração polêmica ao defender o atacante Adriano, que se envolveu em caso de agressão com a namorada.

“Quem nunca brigou ou até saiu na não com a mulher?”, questionou Bruno tentando defender o então companheiro.

Ele afirmou que poucas pessoas ficaram ao seu lado, citando, entre outros, a mãe, as duas filhas, e a atual mulher, a dentista carioca Ingrid Calheiros.

UOL

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