Ex-deputado Pedro Corrêa é condenado a 20 anos de prisão

A decisão é do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Corrêa era beneficiário de propinas destinadas ao PP pelo esquema de corrupção na Petrobras e recebeu, segundo a denúncia, ao menos R$ 11,7 milhões em vantagens indevida.

Em 2005, Pedro Corrêa durante depoimento a CPI do Mensalão (Foto: Ailton de Freitas)
Em 2005, Pedro Corrêa durante depoimento a CPI do Mensalão (Foto: Ailton de Freitas)

Moro ressaltou na sentença que sabe que Pedro Corrêa negocia acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e afirmou que “nada impede que os eventuais benefícios sejam aplicados posteriormente” à condenação. As tratativas com os procuradores começaram em agosto passado.

Ao ser flagrado na Lava-Jato, Corrêa já cumpria pena em regime semiaberto por ter sido condenado no Mensalão a 7 anos e dois meses.

Na sentença, Moro afirma que o “mais perturbador” é que Corrêa recebeu propina inclusive quando já estava sendo julgado pelo plenário do STF (Supremo Tribunal Federal). “Nem o julgamento condenatório pela mais Alta Corte do País representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito”, observou o juiz.

Em depoimento à Justiça, Ângulo contou ter feito entregas pessoalmente para Corrêa entre 2007 e 2013. Segundo o doleiro Alberto Youssef, Pedro Corrêa era quem fazia a distribuição do dinheiro aos parlamentares do PP que participavam do esquema.

No total, Youssef disse ter repassado ao ex-deputado R$ 7,5 milhões para a campanha de 2010. No total, foram identificados 72 repasses de propina ao ex-parlamentar.

Ivan Vernon Gomes Torres Júnior, que foi assessor de Corrêa e movimentou dinheiro de propina em contas correntes em seu nome, foi condenado por lavagem de dinheiro a cinco anos de prisão.

O delator Rafael Ângulo Lopez, que trabalhou para o doleiro Alberto Youssef e fez entregas de dinheiro para políticos do PP e funcionários da Petrobras, foi condenado a seis anos e oito meses de prisão, mas cumprirá apenas o previsto no acordo de delação premiada, que é o regime domiciliar semiaberto por dois anos, com tornozeleira eletrônica.

O juiz absolveu o filho e a nora do ex-deputado. Fábio Corrêa de Oliveira Andrade Neto e Márcia Danzi Russo Corrêa de Oliveira do crime de lavagem de dinheiro, mas ele ainda está sujeito a responder por corrupção passiva caso sejam encontradas provas.

A ex-deputada Aline Corrêa, também do PP e filha de Pedro Corrêa, é investigada em processo à parte.

Com a decisão desta quinta-feira. sobe para 41 o número de réus da Lava-Jato condenados pelo juiz Sérgio Moro. O ex-diretor de Serviços Renato Duque é, até o momento, quem teve a maior pena, 20 anos e oito meses. Pedro Corrêa vem em seguida.

O GLOBO

 

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