Manifesto contra a ‘cultura do estupro’ acontece hoje na Capital como em todo o país

Cultura Estupro2A quarta-feira, 1º de junho, será marcada por dezenas de manifestações agendadas em diversas cidades brasileiras, incluindo Campo Grande, contra a ‘Cultura do Estupro’ e pela exigência de apurações de todos os casos registrados no Brasil. Na Capital, como pelo país, o mote especial, ainda será o ocorrido na última semana, no caso do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos, em uma comunidade da cidade do Rio de Janeiro. O crime indignou o país e mobilizou acima de tudo as mulheres, mas também a homens, não apenas por meio das redes sociais, mas com atos pelas ruas e instituições. Hoje, o #PorTodasElas é o nome do evento que irá acontecer na Capital, no fim da tarde, para lembrar também que Mato Grosso do Sul é o segundo Estado brasileiro em casos do crime, que na sua maioria fica até sem apuração.

De acordo com convite, a manifestação campo-grandense irá se concentrar na Praça do Radio Clube e deve percorrer a ruas do centro da cidade. O chamado dos cidadãos para o manifesto foi feito por meio do Facebook, onde 16 mil foram convidados e 3,2 mil disseram ter interesse ou apoiar a iniciativa. Pelo menos 1,6 mil dizem que irão participar da discussão e se manifestar no movimento que está marcado para iniciar as 17 horas.

Os organizadores apontam indignação contra o assunto e que a mostra da ‘cultura do estupro’ fica evidente não só pelo caso carioca de repercussão nacional e mundial, como após o mesmo, pelas posições de homens e até mulheres, e, mesmo como o fato foi tratado inicialmente pelas próprias autoridades policial do Estado do Rio. “Acreditamos que todas nós ficamos indignadas, tristes e desencorajadas pelo caso da irmã, menina ter sido estuprada por 30 homens e ainda depois, a polícia não achar o vídeo valido para investigação. Mas, temos que lembrar, não só deste caso, mais que nesse momento milhares de mulheres estão sendo estupradas. Vamos lutar por Justiça por todas as nossa irmãs que sofrem neste momento”, diz publicação no Face.

A convocação a todos também deve servir para mostrar que a Capital faz parte da mobilização, acima de tudo para ‘ajudarmos os próprios de casa’, pois temos os mesmos ou piores casos por aqui. Desde que o crime de violência sexual ganhou repercussão nacional, coletivos feministas e ativistas organizaram manifestações em várias cidades brasileiras com o objetivo de protestar contra a cultura do estupro e o machismo. “Devemos nos juntar e não deixar que esses 30 ou mais homens andem impunes e como se nada tivesse acontecido, queremos eles na prisão. Chamem as mulheres, feministas, gays, heteros, trans, todos que ficaram perplexos por tal acontecimento e que devem conhecer a realidade também de nossa casa” .

Se manifestar

Cultura EstuproCom as hashtags #PorTodasElas, #EstuproNuncaÉCulpaDaVítima e #JunhoFeminista, entre outras, os eventos no Facebook convocam as mulheres a saírem às ruas, usando roupas da cor lilás, em alguma das 50 manifestações em 16 estados diferentes no Brasil.

Em entrevista ao portal Catraca Livre, a ativista Sâmia Bomfim, do coletivo feminista Juntas, criador do “avatar” para o Facebook “Eu luto contra a cultura do estupro” (que já chegou a cerca de 800 mil usuários), afirma que a mobilização nas redes sociais fez grandes veículos de comunicação serem obrigados a admitir que a violência contra as mulheres ainda está muito presente na sociedade e a adotar o discurso de que a culpa nunca é da vítima.

No entanto, Sâmia ressalta que, para a conquista de direitos ser efetiva, é fundamental a articulação de protestos nas ruas de todo o país. “Também estamos produzindo textos, cartilhas, vídeos e materiais explicando de que modo se expressa a cultura do estupro e como ela pode ser superada, como por meio de políticas públicas e o debate de gênero nas escolas, por exemplo”, conclui.

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