“Eu não queria estar na pele da presidente Dilma”, diz ministro do STF

Marco Aurélio de Melo
Ministro Marco Aurélio de Mello: “Não posso conceber que uma pessoa que chegue a um cargo como o de presidente da República permaneça alheia ao que está ocorrendo” – Foto: Correio Braziliense

Em longa entrevista publicada neste domingo (5) pelo portal do jornal Correio Braziliense, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, declarou: “não queria estar na pele da presidente Dilma”. Para o ministro, “a  chefe do Executivo foi abandonada por todos, inclusive pelo próprio partido, em meio à crise decorrente das denúncias da Operação Lava-Jato”. “Ela está muito isolada, e isso não é bom institucionalmente”.

Embora a considere “honesta”, Marco Aurélio duvida que negociatas e desvios de recursos da Petrobras tenham ocorrido sem um conhecimento mínimo da presidente Dilma, que comandou o conselho de administração da empresa hoje envolvida no escândalo. “Não posso subestimar a inteligência alheia. Não posso conceber que uma pessoa que chegue a um cargo como o de presidente da República permaneça alheia ao que está ocorrendo”, declarou o ministro.

Prisões na Lava-Jato – Marco Aurélio disse que há certa banalização nas prisões da Lava-Jato e sua expectativa com relação ao desfecho da operação: “Para o leigo, a leitura é péssima. Qual é o fenômeno que está ocorrendo? Na primeira instância, no Paraná, já há processos sentenciados, e no Supremo nós não temos sequer ação penal. Vai explicar ao contribuinte. Parece que nós estamos passando a mão na cabeça”, declarou o ministro.

Falando sobre os empresários e outros envolvidos presos, o ministro alertou: “É um problema seriíssimo. A população carcerária provisória chegou praticamente ao mesmo patamar nas masmorras — para usar uma expressão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo — da população definitiva. Alguma coisa está errada, porque está na Constituição o princípio da não culpabilidade.”

Sobre a atuação do juiz Séergio Moro, o ministro contemporizou: “Não conheço as premissas lançadas pelo meu tão elogiado colega Sérgio Moro para prender o presidente da Odebrecht, para prender o presidente da Andrade Gutierrez. Não é que eu ache exagero. É que se está generalizando a prisão. Qual é a ordem natural? Apurar para, selada a culpa, prender-se em execução da pena.”

Instabilidade – “É como o problema da inidoneidade das empresas. Que empresas tocarão as obras? Aí, de duas, uma: ou não teremos a sequência das obras ou, então, essas empresas constituirão outras, mudando apenas a nomenclatura para continuar contratando com o Estado. As empresas estrangeiras virão para o Brasil com essa instabilidade? Não. Com a morosidade da Justiça, com a insegurança jurídica, com o Ministério Público no calcanhar, como às vezes fica… É um problema sério. Ou, então, para-se o Brasil para um balanço.”

Fonte: Correio Braziliense

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