Após estupros em série, delegada alerta para riscos das redes sociais

O que era para ser apenas uma amizade feita por meio das redes sociais, acabou resultando em cinco estupros ocorridos na Capital entre os meses de julho e setembro deste ano. João Carlos Ribeiro da Costa, 34 anos, acusado dos crimes, escolhia suas vítimas pela internet.

Foto ilustrativa / Márcio Nory
Foto ilustrativa / Márcio Nory

Apesar de ser um meio de manter contato com pessoas que moram longe, a internet também representa um risco quando usada de maneira errada. De acordo com a delegada Rosely Molina, titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), os cuidados nas redes sociais devem ser constantes. “Percebemos que todas as vítimas desse estuprador se descuidaram na internet, fornecendo dados e informações pessoais nas redes sociais. Hoje, a informática está muito avançada, então precisamos tomar bastante cuidado porque não sabemos quem está do outro lado”, comentou Molina. 

Segundo informações da Deam, somente neste ano já foram registrados 69 casos de estupros na Capital, quase a mesma quantidade registrada em 2014, com 75 casos. Na maioria dos crimes os autores são conhecidos das vítimas.

Crimes devem ser denunciados imediatamente

O estupro é caracterizado como um crime de difícil apuração, conforme informações da polícia. Segundo Molina, as vítimas muitas vezes demoram para denunciar o caso, o que dificulta a investigação. Uma das vítimas de João Carlos, que foi estuprada em setembro, só registrou o boletim de ocorrência após o autor ser preso, dias depois do crime. “Ela disse que ficou envergonhada e com medo, já que ele ameaçou voltar em sua residência caso a polícia fosse acionada”, contou a delegada.

molina

Essa medida acaba dificultando o trabalho da polícia, já que vestígios que seriam importantes para a investigação acabam sendo perdidos. “Quando ocorre um estupro, geralmente as vítimas querem se livar o quanto antes de qualquer coisa que lembre o crime. A primeira medida tomada é tomar banho e, em alguns casos, queimar a roupa que estava sendo usada”, relatou.

De acordo com Molina, é importante que a vítima de abuso sexual procure a polícia logo após o crime. “A primeira coisa que fazemos é registrar a ocorrência e encaminhar a vítima para um posto de saúde para tomar remédios para evitar doenças, já que em muitos casos o estuprador não usa preservativo. Depois, a vítima é encaminhada para exame de corpo de delito, onde também serão colhidos materiais que possam ajudar a identificar o autor”, disse.

É importante que as vítimas levem à delegacia provas que ajudem na identificação do estuprador, como as roupas usadas no momento do crime.

As vítimas de abusos e violência doméstica podem procurar a Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas por dia. Ela está localizada na rua Brasília s/n, no Jardim Imá.

Kerolyn Araújo

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