Estelionatários são presos e revelam participação de bancos e telefônicas em golpes

Dos cinco componentes presos, dois puderam ter fiança e foram liberados. Alan (esquerda), Eraldo e Julio (Fotos: Ivan Silva)

A Policia Civil de MS (PC-MS) pegou nesta quinta-feira (29) e apresentou hoje a imprensa, uma quadrilha de cinco estelionatários que agia em Campo Grande com grande esquema de atuação e provável lucros milionário. O grupo roubava e adulterava, como também ‘fabricava’ cheques, e, prosseguia com as fraldes, em ações para retirar dinheiro das vitimas, com apoio de funcionários de bancos e de operadoras de telefonia na Capital. O Garras (Delegacia especializada de repressão a roubo a banco e resgate a assaltos), à principio, foi quem desbaratou parte do esquema, pois envolveu questão de agência bancária. Mas, este caso, que envolveu um montante de quase R$ 100 mil, será repassado para Dedfaz (Delegacia Especializada de Defraudações Fazendária), para dar continuidade as investigações, pois o Garras prendeu o quinteto, mais o crime tem envolvido outras pessoas pela fraude bancária e em quebra de sigilo telefônico em todas as empresas no Estado.

O delegado do Garras, Fabio Pero, apresentou o grupo que teve a prisão preventiva decretada, e, anunciou que Júlio Emerson Barbosa, 33 anos; Tales Gonçalves Oliveira, 30; Allan Cleyton de Souza Ferreira, 24; Eliane Dias de Sousa, 40, formam o grupo, que ainda tem e seria liderado por Eraldo Balbino Silva, vulgo Tio, 38 anos. O líder já tem passagem na polícia por estelionato. “Ao que tudo indica, ele -Eraldo- é o mentor do grupo e um estelionatário nato. Não temos como ainda mensurar, o caso vai para Dedfaz, a quem compete investigação. Mas, o que iniciou com a gente – Garras- devido ao fato da denuncia sobre banco, pudemos já verificar que este caso que apareceu no fim da semana passada, não foi o primeiro este ano. Nós, já chegamos em outro, mas a Dedfaz que fará e deve repassar o tamanho de ação já feita pela quadrilha. Eraldo e o Julio é quem ficam com a maior parte dos recursos, os outros três tem 10% cada”, declarou Peró.

O titular do Garras explicou que o grupo era altamente especializado, mas que deve ter tido um descuido e ‘caiu’ a partir do último dia 23, sexta-feira, quando foi registrado um boletim de ocorrência (118/16-Garras), mencionando que uma lâmina de cheque preenchida no valor de R$ 200,00, de um posto de gasolina, havia sido adulterado para R$ 98 mil. “Com Eraldo foram apreendidos seis impressoras, um notebook, um pen drive com programa para realizar as fraudes, além de várias laminas de cheques preenchidas ou em branco, e vários documentos de identidades falsos. O grupo ou o líder tem membros dentro de bancos e em todas as empresas de telefones, que repassam dados e empregam o sistema Siga-me, para repassar ligação da vitima para alguma pessoa da quadrilha para atender e liberar os cheques adulterados”, revelou Peró.

“Com o B.O, as investigações apuraram que a tal lâmina de cheque foi depositada compensada muito rápido na conta corrente do Tales, que por sua vez pulverizou o valor em duas contas correntes de Eliane e Allan, entre 30 e 60 mil, respectivamente. Isto, com um fim de semana e de um dia útil para outro praticamente. Na quarta-feira (28) localizamos os três-Tales, Eliane e Allan- que confessaram fazer parte do esquema, emprestando suas contas, que posterior recebiam cada, 10% do valor arrecadado. O trio entregou Julio, que era responsável por cooptar pessoas para o esquema e também Eraldo, o líder e quem fazia a adulteração dos documentos. Com ele tinha muito material -já citado- e acabou por revelar que tem contatos em bancos e operadoras de telefonia da Capital”, finalizou Peró, que comentou que não se tem nomes nas empresa, mas que devem ser revelados em investigação que passou para a Dedfaz.

Esquema nas Telefônicas – Siga-me

Peró informou que durante o interrogatório, Eraldo, iniciou a falar que a organização criminosa possui os contatos nas empresas de telefonia e bancos. Pelo telefone, faziam instalar o desvio de ligações conhecido como “siga-me”, para que no momento em que um gerente da conta corrente da vitima entrasse em contato para autorizar o pagamento, fosse feito o desvio da ligação de imediato e de forma ‘normal’. “O Siga-me é aquele desvio para outro número. Quando se ligava para o cliente-vitima, a ligação do gerente era desviado para a quadrilha, que em conversa no número e teoricamente com o cliente, fazia a liberação da forma bancaria, após o conhecimento e autorização do cliente, que ficava como normal em obrigação feita pelo banco”, explicou o delegado sobre o sistema.

Delegado Fábio Peró

Contudo, o Garras, ainda lembrou que além do ‘serviço feito pelo Siga-me’, há ainda outros atos feitos pro cúmplices dentro dos bancos. “Outro ponto a se destacar é que eles também possuíam contatos nas agências bancárias, visando obter saldos da conta corrente da vitima, auxiliando-os no momento de escolherem os valores a serem inseridos nos cheques adulterados, no entanto, Eraldo, se negou a revelar que são essas pessoas. A Dedfaz tem que fazer agora esta apuração”, disse Peró.

O quinteto foi autuado em flagrante por formação de quadrilha em organização criminosa, que pode levar a uma pena de 3 a 8 anos de prisão. O Garras tinha em mãos para fazer a prisão em flagrantes, que pela Justiça já se conseguiu converter em prisão preventiva de Alan, Julio e Eraldo. Já Tales e Elaine, o juiz arbitrou fiança no valor de três salários mínimos. “Os dois saíram hoje, a pouco, quase estavam aqui para também serem apresentados, mas pagaram a pouco e puderam sair”, comentou Peró.

De acordo com o delegado as prisões foram feitas da Eliane em sua casa na Moreninha; Alan na Coophavilla 2; Julio em seu salão de beleza em plena Avenida Afonso Pena; Eraldo em sua casa no Coophatrabalho e por fim Tales, em seu trabalho na avenida Julio de Castilho. “O esquema era grande e deve ter rendido muito a Eraldo, pois ele comentou vindo para delegacia que tinha pago R$ 20 mil, a um agiota e que quitou há três meses uma casa de R$ 450 mil”, disse um dos investigadores do Garras.

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