Espetáculo premiado na Rússia será apresentado na Capital pela Cia Deborah Colker

Lúcio Borges

Fotos de Cadi

A bailarina brasileira Deborah Colker, conquistou nesta terça-feira (5), o “Oscar da Dança”, em prêmio de melhor coreógrafa do mundo, pelo “Prix Benois de La Danse”. A premiação foi garantida pela coreografia do espetáculo “Cão Sem Plumas”, que estreou em 2017 pela companhia da profissional. Os campo-grandenses terão a oportunidade de ver o espetáculo já neste mês, pois a Capital receberá a apresentação nas noites dos próximos dias 16 e 17. O show premiado  estará em cartaz no Teatro Glauce Rocha com ingressos já estando a venda.

Deborah, que foi uma das coreógrafa responsável pela cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, vez o “Cão Sem Plumas”, em primeira montagem com temática explicitamente brasileira da Cia Deborag Colker, sendo baseada no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), publicado em 1950. Acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco, mostrando a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue. “O Espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana, destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, explica.

Na montagem a dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis – diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febredo Rato e Big Jato – são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.

Pelo “Oscar da Dança”, ainda concorrem por “Cão Sem Plumas”, os músicos Jorge Du Peixe e Berna Ceppas, na categoria compositores, e Gringo Cardia, em cenógrafos. Essa não é a primeira vez que o grupo é reconhecido internacionalmente, já que a Cia Deborah Colker teve sua excelência chancelada pela Society of London Theatre, arrebatando, na categoria “Outstanding Achievement in Dance” (realização mais notável em dança), o Laurence Olivier Award 2001 – honraria jamais concedida a um artista ou grupo brasileiro.

Alguns detalhes 

Conforme divulgação da peça, os bailarinos se cobrem de lama, em alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia, como Deborah faz.

Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares. “Minha história é uma história de misturas”, afirma ela.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). Outros antigos parceiros estão em cenografia e direção de arte (Gringo Cardia) e na iluminação (Jorginho de Carvalho). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia. A produção local é feita pela Marruá Arte e Cultura.

Cia. Deborah Colker

Em 1994, a Companhia de Dança Deborah Colker subia à cena pela primeira vez no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos mais importantes do país, dividindo a noite com o Momix, o cultuado grupo de Moses Pendleton. Era a edição inaugural da mostra O Globo em Movimento, que se tornaria referência no panorama brasileiro da dança, e Vulcão, o espetáculo de estreia, faria jus ao nome.

A grande explosão, no entanto, viria no ano seguinte com Velox, que em seis meses contabilizava 55 mil espectadores. Um fenômeno que renderia à companhia uma estabilidade precoce. Em 1996, apenas dois anos depois de vir ao mundo, a Cia Deborah Colker era contemplada com o patrocínio exclusivo da Petrobras e ocupava sede própria.

No mesmo ano, fazia sua primeira estreia mundial em território estrangeiro. Montado especialmente para a prestigiosa Bienal de Dança de Lyon, Mix cuidaria de projetar internacionalmente o trabalho da companhia carioca.

De lá para cá a companhia já passou por quatro continentes, se apresentando nos EUA, Canadá, França, Inglaterra, Alemanha, Singapura, China, Japão, Nova Zelânida, entre diversos outros países. Essa é a segunda vez que Deborah vem à Campo Grande, sendo que a última foi há 18 anos.

Serviço – O espetáculo que está programado para as 20 e 21 horas de cada dia, será no Teatro Glauce Rocha, que fica dentro do campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Os ingressos podem ser adquiridos em livraria localizada na rua Euclides da Cunha, 1126,  ou pelo site www.ativaingressos.com.br ou na bilheteria do espetáculo. A meia entrada vale para idosos, com apresentação de documento, estudantes e professores que apresentarem a carteirinha e doadores de sangue e medula que apresentarem sua carteira de doador.

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