Especial Dia das Mães: Diagnosticada com trombofilia, enfermeira enfrentou série de agulhadas para ter Ana Beatriz

Segundo domingo do mês de maio. Não tem como falar dessa data sem lembrar do que é comemorado desde 1914: o Dia das Mães. Hoje, o Página Brazil conta uma história que confirma aquela velha frase que diz que o amor de mãe é o maior do mundo.

O nome dela é Juciane Correia Vanderley Tutes, tem 31 anos, é enfermeira e micro-empresária. Como é o sonho de todo pai, Juciane ingressou na faculdade, formou, namorou, noivou e casou. Tudo conforme manda o figurino. Mas, de repente, a vida dela e do marido mudou completamente.

Juciane contou como foi perder dois bebês e receber o diagnóstico de trombofilia. Foto: Deivid Correia
Juciane contou como foi perder dois bebês e receber o diagnóstico de trombofilia. Foto: Deivid Correia

Juciane casou no ano de 2011 e, em 2012, começou um cursinho pré-vestibular com a intenção de fazer faculdade de medicina. No mês de maio, mês das mães, veio a surpresa que mudaria para sempre a vida do casal: Juciane descobriu que estava grávida do primeiro filho. Mesmo sem ser planejado, a notícia da chegada do bebê alegrou todos da família. Porém, sete semanas depois, a enfermeira sofreu um aborto. “Fui em uma médica e ela me disse que era comum mulheres perderem bebês na primeira gestação, mas que eu poderia tentar de novo após quatro meses”, explicou.

Os quatro meses passaram e, no mês de setembro, Juciane engravidou novamente. Dessa vez, a gestação foi interrompida na quinta semana. “Fiquei desolada. Onde eu ia encontrava mulheres grávidas e isso só aumentava minha vontade de ser mãe”, contou. Por indicação de uma amiga, a enfermeira resolveu procurar um médico especialista em gravidez de risco.

Dois dias antes da consulta, Juciane desconfiou que estivesse novamente grávida, o que foi constatado em seguida. “O médico pediu uma bateria de exames e disse que desconfiava de uma doença. Como já estava grávida, antes mesmo do resultado oficial, já demos início ao tratamento”, explicou. Alguns dias depois, Juciane foi diagnosticada com trombofilia gestacional.

O tratamento não foi fácil. Além dos remédios, Juciane teve que aplicar uma injeção todos os dias durante a gravidez e por 45 dias após o parto. “As marcas das agulhas deixavam hematomas no meu corpo. Uma vez uma pessoa viu marcas roxas no meu braço e perguntou se meu marido estava me batendo. Para evitar esse tipo de coisa, comecei a aplicar as vacinas somente nas pernas, barriga e no bumbum”, contou.

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Juciane à espera de Bibi. Foto: Arquivo pessoal/ Deivid Correia

Mesmo fazendo o tratamento conforme prescrito pelo médico, o medo de perder o terceiro filho continuou assombrando a jovem. “Eu segurava ao máximo o xixi. Tinha medo de ir ao banheiro e perder o meu bebê. Eu só chorava”, detalhou. No começo de 2013, Juciane descobriu que estava esperando uma menina, a Ana Beatriz.

Superação no artesanato

Para ocupar a cabeça, Juciane resolveu fazer um curso de artesanato, confeccionando bonecas e caixinhas em MDF para enfeitar o quartinho da filha. “Comecei a ganhar muitas roupinhas e saí em procura de acessórios, mas como achava tudo caro, resolvi tentar fazer eu mesma”, disse.

Juciane comprava lacinhos, desmanchava e montava novamente para aprender a fazer. Assim, ela começou a produzir os enfeites para a filha. Em junho de 2013, Ana Beatriz nasceu.

Mãe coruja assumida, Juciane não desgruda da filha. Foto: Deivid Correia
Mãe coruja assumida, Juciane não desgruda da filha. Foto: Deivid Correia

Sempre com um tipo de laço diferente na cabeça, a pequena Ana, que é chamada de Bibi pelos familiares, chamava atenção por todos os lugares que passava. “As pessoas começaram a perguntar onde eu comprava os laços porque achavam bonitos. Então, resolvi fazer para vender”, explicou. Hoje, Juciane tem uma loja especializada em acessórios infantis, o “Laços da Bibi”.

Juciane encontrou na produção dos laços uma maneira de amenizar a tensão da gravidez de alto risco, além de uma fonte de renda. “O artesanato foi fundamental na minha vida. Trabalho em casa e não perco nenhum momento da vida da minha filha. Tenho vídeos da primeira papinha, das primeiras palavras, da primeira vez que ela andou. Não troco isso por nada. Todas as dificuldades valeram a pena e eu passaria por tudo novamente”, ressaltou Juciane, completando que planeja mais um filho em breve.

Com essa história linda sobre as superações que Juciane passou para realizar o sonho de ter um filho, a equipe do Página Brazil deseja a todas as mães um Feliz dia das Mães!

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