Escolas usam artimanhas para serem bem rankeadas no Enem

08maceteMetade dos 20 colégios com as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2014) têm índices de permanência de alunos considerados baixos pelo Ministério da Educação (MEC).

Entre as 20 escolas, somente seis ostentam taxas de permanência de 80%, considerada adequada pelo ministério. As demais se enquadram em patamares inferiores, sendo sete com menos de 20% de permanência. A taxa indica quantos alunos foram matriculados somente no ano da prova, ficando apenas um ano no colégio.

Além disso, com base nos dados catalogados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é possível apontar que a maioria das líderes do ranking têm foco em turmas pequenas, com entre 18 e 59 alunos.

Segundo dados do Inep, metade dos colégios que figuram no top 20 nacional de melhores médias nas provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 tem taxa de permanência de alunos igual ou inferior a 20%, ou entre 40% e 60%.

De acordo com especialistas em educação e com os próprios organizadores do Enem, o índice aponta a possível adoção de uma estratégia para obter boas notas no ranking. As instituições de ensino criam novas escolas, com outros CNPJs (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), e constituem “novos projetos” que se destacam nos resultados e servem de vitrine para as demais unidades do mesmo grupo educacional.

Diretores de diferentes escolas ouvidos pelo G1 afirmam que a formação de turmas pequenas atende a diversas necessidades, como atendimento específico a alunos que se saíram bem em olimpíadas de conhecimento ou projeto pedagógico diferente, negando uma simples estratégia de publicidade.

Durante coletiva para a divulgação do ranking, na quarta (5), o presidente do Inep, Chico Soares, disse que o índice de permanência muito abaixo revela o garimpo de alunos.

“A explicação é óbvia. Essa escola tem um processo de seleção. Ou ela traz aquele aluno brilhante de outra escola para seu terceiro ano [do Ensino Médio] ou ela exclui os seus alunos que tem desempenho pior”, afirmou.

G1

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