Erro de manipulação medicamentosa causou a morte das quatro pacientes oncológicas da Santa Casa

Depois de concluir quatro inquéritos com mais de dez mil páginas a Polícia Civil de Campo Grande aponta que a causa da morte de quatro mulheres que passaram por procedimento oncológico no Hospital Santa Casa foi a troca acidental de um medicamento feita pelo um farmacêutico Rafael Castro durante a manipulação do composto quimioterápico administrado nas pacientes.

Ana Cláudia e Priscila falaram sobre o resultado da investigação nesta quinta Foto Luana Campos
Ana Cláudia e Priscila falaram sobre o resultado da investigação nesta quinta Foto Luana Campos

O erro de Rafael se deu no dia 25 de junho quando ele ao invés de colocar o 5-fluorouracil nas bolsas quimioterápicas inseriu o citotóxico metatrexato que seria destinado a outra paciente com câncer de mama internada no mesmo setor.

Carmen Isfran Bernardes, Orotildes de Araújo Greco e Maria Glória Guimarães morreram respectivamente em 10, 11 e 12 de julho do ano passado após sofrerem fortes reações físicas como hemorragias intensas.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (DECO), Ana Cláudia Medina, as investigações foram complexas, “não há registro no país de outros casos ou fatos semelhantes a este”, declarou.

Um ano após investigação, Polícia indicia médicos e envolvidos no escândalo da quimioterapia  Foto Luana Campos
Um ano após investigação, Polícia indicia médicos e envolvidos no escândalo da quimioterapia Foto Luana Campos

Foram ouvidas 22 pessoas durante as investigações, entre elas a vítima, Margarida Isabel de Oliveira que também recebeu uma dose do medicamento e apresentou reações adversas nos mesmo moldes mas acabou internada até agosto de 2014 quando teve alta. Oliveira sofreu diversas sequelas e veio a óbito no dia 27 de janeiro deste ano.

A delegada explica ainda que diversos documentos foram analisados como relatório de interdição da Vigilância Sanitária Estadual, contrato entre a Santa Casa e o setor de oncologia que se encontrava vencido desde novembro de 2013, livros de registros de manipulações aos pacientes, entrada de medicamentos, inventário de medicamentos, notas fiscais, informações técnicas dos laboratórios que fabricam os medicamentos, coleta de sangue de Margarida enquanto estava viva, entre outros.

Luana Campos

 

 

 

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