Envolvidos na Lama Asfáltica triplicaram a renda pessoal, segundo investigação

Michael Franco

A equipe de investigação da 4ª fase da Operação Lama Asfáltica, prestou entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (11) na Superintendência Regional da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Participaram da coletiva o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, Cleo Mazzotti; o Superintendente Regional da Controladoria Geral da União, José Barbiere; e o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Marcelo Lingerfelt. Eles explicaram todo o processo que levou à realização desta fase.

A fase foi batizada de ‘Máquinas de Lama’, com um prejuízo aos cofres públicos contabilizado em R$ 80 milhões, somado às outras fases o déficit total chega aos R$ 150 milhões. O fator que chamou atenção nesta investigação foi o acréscimo patrimonial de pessoas físics sem justificativa. De acordo com o delegado Cleo Mazzoti “houve pessoas que triplicaram e quase quadruplicaram a renda”. Os nomes dos investigados estão sob sigilo fiscal e não podem ser divulgados.

São 44 pessoas investigadas e cada uma delas recebeu o bloqueio de R$ 100 milhões nas contas bancárias e imóveis. Uma das pessoas teve um salto em suas contas de R$ 23 milhões para mais de R$ 89 milhões no período de cinco anos, de acordo com Mazzoti.

Confira o vídeo em que o delegado explica o processo de investigação:

Obras Públicas

Ao todo 122 obras públicas sofreram algum tipo de desvio de recursos, adição de itens ou pagamentos de serviços não executados. As rodovias MS-430, MS-040 e MS-180 são exemplos destas obras que de alguma forma tiveram participação nos esquemas de propina, por meio de seus gestores.

 

Além das rodovias, a obra que mais chama atenção é o Aquário do Pantanal, com 65% de aditivos inseridos. Neste caso houve pagamento de serviços não executados, totalizando R$ 2 milhões somente no Aquário. Além dos pagamentos indevidos, houve inserção de itens que não estavam no cronograma inicial. O pagamento destes itens ainda não foram contabilizados.

Empresas privadas também participaram da organização criminosa, por meio de um esquema de isenção fiscal concedido às organizações privadas.

Veja o vídeo que Mazzoti explica a relação das obras públicas e empresas com o esquema criminoso:

 

André Puccinelli

Segundo o delegado Cleo Mazzoti, a equipe de investigação pediu a prisão preventiva de todos os investigados desta fase da operação, no entanto, o judiciário decidiu não prender o ex-governador. Como medidas de segurança, André Puccinelli usará uma tornozeleira que monitora o ex-governador, além de pagar uma fiança de R$ 1 milhão. “Se ele não pagar a fiança, o juiz decide outra medida”, disse Mazzoti.

O delegado também afirma que André Puccinelli participava do esquema, porém não recebia propina diretamente. “O governador anterior era garantidor de recursos via BNDES e era beneficiário do esquema criminoso de forma indireta”.

Confira o vídeo em que o Superintendente Regional da Controladoria Geral da União, José Barbiere, explica parte do esquema criminoso:

Entenda a Lama:

A matéria do Página Brazil, escrita por Lúcio Borges, explica todas as fases da operação Lama Asfáltica e complementa o envolvimento do ex-governador André Puccinelli e parte de seu secretariado na organização. Clique aqui e leia

 

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