Energia solar fotovoltaica produz até 90% da eletricidade de uma residência

Agricultor pode utilizar açude ou lago para instalar placas fotovoltaicas (Divulgação)
Agricultor pode utilizar açude ou lago para instalar placas fotovoltaicas (Divulgação)

Diferente do aquecimento solar, em que as placas captam a energia do sol e aquecem a água, a energia solar fotovoltaica abastece com eletricidade uma propriedade em até 90%. O presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Rodrigo Lopes Sauaia explica que as placas fotovoltaicas podem ser aplicadas em usinas de grande porte, residências, propriedades rurais e edificações. No Brasil, atualmente, são 5.040 sistemas de energia solar fotovoltaica, 98,3 % deles têm capacidade de minigeração (de 75 kW até 5 MW) e microgeração (de 0 até 75 kW). Sauaia acrescenta que 78% estão em residências e 15% em comércios e prestadores de serviços.

“Para uma residência que utiliza de 2 a 3 kW, o investimento é de R$ 15 mil a R$ 25 mil, com retorno entre 6 a 12 anos, e com a garantia de 25 anos. A primeira vantagem é a redução de gastos com energia elétrica, a redução é de 80% a 90%. Nos supermercados, shoppings, onde o segundo maior gasto é com eletricidade, o sistema é bem útil. Na zona rural, a vantagem é a autonomia energética para planejar o crescimento no campo. E ainda tem o fator ambiental, por ser uma energia limpa, de baixo impacto e silenciosa”, reforça.

O sócio-diretor da Sunlution, empresa brasileira de geração solar e híbrida, de médio e grande porte, e da Ciel & Terre Brasil, fabricante francesa da tecnologia de flutuador para usinas de geração fotovoltaica, Orestes Gonçalves Júnior complementa que, no caso da geração solar, o investimento é feito na aquisição dos equipamentos, com gastos menores para a manutenção da usina. “Investindo em geração solar, você fixa o preço da energia de 20 a 25 anos, e não sofre mais reajustes elevados de preços como tem ocorrido nos últimos anos. O investimento de R$ 20 mil supre uma casa com três pessoas e se recupera este valor entre 4 e 6 anos. A Sunluntion tem mais de 10.300 kW em projetos de geração solar. Estamos no mercado há quase três anos.”

Na lista de inovação trazida pela Ciel & Terre Brasil estão projetos de usinas flutuantes de geração solar, exemplifica. “A geração sobre a água é uma inovação. Uma tecnologia francesa que o agricultor pode utilizar no seu açude, lago ou reservatório, deixando a terra para a agricultura. A evaporação da água na área coberta pelos flutuadores é reduzida em até 70%, proporcionando 20% a mais de água por ano, além de não ocupar espaço de terra”, detalha Gonçalves Júnior.

Especialista da UFMS lembra que mudar hábitos de consumo é ideal

Para o coordenador de projetos e obras da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Amâncio Rodrigues da Silva Júnior, o melhor aliado para economizar energia é comportamental. “A forma mais barata de fazer essa redução de gastos é com atitudes como desligar aquilo que não está utilizando e incorporar tecnologias eficientes, como chuveiros e eletrodomésticos com selo AA. Utilizar coletor solar para o aquecimento de água é uma forma bem eficiente, pois o chuveiro é o que mais gasta. E o investimento é de aproximadamente R$ 3 mil com retorno de 2 a 3 anos. Hoje, os projetos de energia fotovoltaica ainda são inviáveis economicamente e precisam de apoio do governo para popularizar esse tipo de tecnologia”, diz.

MS tem 143 projetos de microgeração que terão incentivos fiscais do governo

O presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Rodrigo Lopes Sauaia ressalta que a visita ao Estado em outubro foi produtiva. O governo de Mato Grosso do Sul beneficiará com a isenção de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o excedente produzido os consumidores residenciais, comerciais e de empreendimentos rurais do Estado que investem na microgeração de energia elétrica renovável, como a energia solar fotovoltaica.

Na ocasião, o governador Reinaldo Azambuja formalizou a adesão do Estado ao Convênio ICMS 16/2015 do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Para Sauaia, o Estado deu um passo importante com a adesão ao convênio. “O Estado deve fazer uma nova linha de investimento. O financiamento é importante para a democratização dessa tecnologia. E ainda um programa estadual de assuntos renováveis.”

Atualmente, existem 143 projetos de microgeração de energia elétrica renovável em Mato Grosso do Sul. De acordo com o governo, já existem alguns empreendimentos de usinas solares fotovoltaicas previstos para o Estado. Um deles na região dos municípios de Cassilândia e Paranaíba.

Outra ação do governo, discutida na ocasião é a disponibilização de uma linha de crédito do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) para projetos de energia solar fotovoltaica. Seria o FCO Sol, com financiamento de longo prazo, aos moldes dos projetos de implantação de aviários e que poderiam atender, tanto a avicultura como sistemas de bombeamento de água, irrigação, aeração e cercas elétricas.

Matéria: Jornal O Estado MS

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