Ari Rigo com empresários e dirigentes do TCE e Detran viram réus por corrupção e lavagem de dinheiro

A Operação Antivírus realizada em agosto do ano passado, virou processo judicial, que culminou nesta quinta-feira (12), com a Justiça aceitando a denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro contra 18 pessoas investigadas na ação, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Os agora réus e que responderão pelos atos apontados, são empresários, políticos de ‘alto escalão’, que já passaram pela AL-MS (Assembleia Legislativa de MS), e até dirigentes do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito). Confira abaixo, toda lista dos agora réus na Operação Antivírus.

Conforme eram investigados, os principais nomes, que agora estão entre os réus, são: Ary Rigo, que foi deputado estadual por diversos mandatos, ex-vice-governador e ex-presidente da AL-MS; o último diretor-presidente do Detran-MS Gerson Claro, o ex-vereador Roberto Durães (PSL), o presidente da Digix, Jonas Schimidt das Neves, e o diretor do Tribunal de Contas do Estado, Parajara Moraes Alves Júnior. Todos e outros tiveram aceitas denúncia por corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dispensa de licitação, peculato e organização criminosa. Os integrantes da suposta quadrilha podem ser condenados a pagar R$ 50 milhões aos cofres públicos.

A juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, foi quem aceitou as ações nesta quarta-feira (11), mas negou o pedido de prisão preventiva contra os chefes da grupo criminoso. O MPE (Ministério Público Estadual), foi quem pediu a prisão preventiva para garantir a ordem pública devido à gravidade das denúncias e do poder econômico e políticos dos envolvidos no suposto esquema de corrupção, que poderiam intimidar as testemunhas.

Contudo, ela manteve as medidas cautelares impostas pelo Tribunal de Justiça há oito meses atrás, como o comparecimento mensal ao juízo e proibidos de manter contatos com servidores do Detran. Como o TJ-MS, revogou as prisões preventivas no ano passado, a juiza manteve as medidas cautelares, mas determinou que mais acusados passem a cumprir as restrições: a diretora da Digix, Suely Aparecida Almoas Ferreira, Parajara Moraes Júnior e José Sérgio Paiva Júnior.

Então poderoso Deputado Rigo

É a primeira vez na história que um ex-presidente da Assembleia Legislativa se torna réu por corrupção, peculato e organização criminosa. Rigo foi deputado estadual ainda pelo Mato Grosso uno e é considerado uma das lendas da política sul-mato-grossense, sendo fundamental na governabilidade.

Rigo foi vice-governador com Pedro Pedrossian, que morreu no ano passado. Mas, sua principal atuação e 90% de tempo como político visível, foi até 2010, épocas atrás que então se revezou com o outro ‘ícone’, Londres Machado, no comando da AL-MS. Rigo exerceu seis mandatos como deputado estadual.

O então deputado, que em 2010, ocupava a segunda maior função do Legislativo, caiu ou começou a sair de cena principal naquele ano, quando acabou no furacão da Operação Uragano, na qual apareceu em gravação de vídeo apontando o pagamento de mensalão para integrantes do Tribunal de Justiça (R$ 900 mil), para o então chefe do MPE, Miguel Vieira da Silva (R$ 300 mil), ao governador André Puccinelli (MDB, com R$ 2 milhões) e deputados estaduais.

Rigo, acabou não se reelegendo em 2010, mas manteve a influência política. Para o Gaeco, ele seria sócio oculto da Digix, empresa de informática que funcionou durante anos no mesmo endereço do seu escritório político. A Digix mantém contratos milionários com o Governo do Estado.

Operação Antivírus

Em interceptações telefônicas, feitas com autorização da Justiça, o ex-deputado intercede junto ao prefeito Marquinhos Trad (PSD) para que a prefeitura contrate os serviços da empresa. O Gaeco aponta o repasse contínuo de recursos pela Digix para o tucano.

Gerson Claro, que chegou a ser preso em agosto por corrupção,

Gerson Claro acabou renunciando ao cargo de diretor-presidente do Detran após ser afastado do órgão pelo Tribunal de Justiça. Preso na operação, ele sonha em conquistar um mandato de deputado estadual. Claro, que chegou a ser preso em agosto por corrupção, pretende disputar uma vaga de deputado estadual com o apoio do ex-prefeito Alcides Bernal.

A denúncia não arranhou a reputação de Parajara, que tem salário de R$ 23,8 mil como diretor do TCE. Aliás, a corte fiscal ignorou solenemente a investigação e contratou a Pirâmide Informática, pivô no escândalo, por R$ 9,4 milhões para prestar serviços por mais um ano.

Confira os réus na Operação Antivírus:

Jonas Schimidt das Neves (dono da Digix)

Suely Aparecida Carrilhos Almoas Ferreira (sócia e superintendente da Digix)

José do Patrocínio Filho (dono da Pirâmide Informática)

Fernando Roger Daga (sócio da Pirâmide Informática)

Anderson da Silva Campos (sócio da Pirâmide Informática)

Luiz Alberto de Oliveira Azevedo (técnico da Secretaria de Fazenda e ex-assessor da Segov)

Gerson Claro Dino (ex-diretor-presidente do Detran)

Celso Bras de Oliveira Santos (ex-diretor do Detran)

Gerson Tomi (ex-diretor do Detran)

Donizete Aparecido da Silva (ex-diretor adjunto do Detran)

José Sérgio de Paiva Júnior (dono da empresa North Consult)

Parajara Moraes Alves Júnior (diretor de controle interno do TCE)

Danielle Correia Maciel Rigotti (diretora da Digix)

Ary Rigo (ex-deputado estadual e ex-vice-governador)

Claudinei Martins Rômulo (funcionário da Digix)

João Batista Pereira Lopes

Elso Correa de Souza

Roberto Santos Durães (ex-vereador da Capital)

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