Empresário que denunciou dumping em postos da Capital é ouvido em CPI

Foto: Fernanda Kintschner - AL/MS
Foto: Fernanda Kintschner – AL/MS

A CPI dos Combustíveis na AL-MS (Assembleia Legislativa de MS) ouviu na tarde desta terça-feira (10) o depoimento do empresário, Nilton Braz Giraldelli, dono de dois postos em Campo Grande, que denunciou suposta prática de dumping por parte de uma grande rede de postos de combustíveis da Capital. Dumping é o nome dado à venda de produtos a um preço muito inferior ao do mercado, que foi levantado pelo empresário para fazer a denúncia. Ele ainda mencionou que não quer ‘brigar’ com ninguém, mas lutar para que ele e outros não acabem fechando e com muitas dividas, que ninguém vê e ainda acham que “somos ricos” e mal feitores do comércio.

O empresário não foi convocado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), não tendo a obrigatoriedade oficial de responder ou até de ter ido ao local. Mas, ele mesmo se dispôs a ir falar de sua denúncia já feita tempos atrás.  O presidente da CPI, deputado Beto Pereira (PSDB) explicou que o depoimento do empresário foi colhido em caráter colaborativo. “Ele depôs de forma espontânea, indicado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis -MS. Tudo que falaria ou falou não seria obrigado, mas ele vai assinar a ata do seu depoimento, para resguardar o mesmo valor de juízo de uma oitiva convocada. O próximo depoente que iremos trazer, ai sim sendo convocado é o representante oficial do Sindicato, Mário Shiraishi, que também pediremos para trazer a relação de postos sindicalizados”, determinou o deputado.

Giraldelli ratificou  a denúncia e ainda acrescentou que isto leva a um comércio desleal e prejudicial. “Há uma concorrência predatória por parte de uma rede aqui de Campo Grande que domina muitos postos. Eu não tenho como provar, mas há o dumping, os postos pequenos não têm paz. A maioria é empresa familiar. Estamos quebrando. Calculo que há cerca de 30% de desemprego na Capital por causa dessa guerra de preço”, denunciou.

Questionado sobre a diferença de preços entre Campo Grande e o interior, Giraldelli mensura que a média é em torno de R$ 0,10 a R$ 0,20 mais barata na Capital por negociação com as distribuidoras. “Elas vendem mais barato aqui para evitar ‘uma quebradeira geral’. Acontece algo como um ‘paralelismo consciente de ação’, em que meu vizinho sobe o preço eu subo também para evitar o prejuízo, pois nossa margem de custo é muito igual”, ressaltou.

Injustiça e perigo

O empresário ainda disse que a categoria é injustiçada. “Não temos quem nos defenda. Para o combustível chegar aqui há 11 etapas, uma logística complicada. Nossa margem de lucro é curta. Falam da gente como se tivéssemos cometendo um crime por lucrar em um sistema capitalista, mas ninguém sabe que eu tenho que pagar mais R$ 15 mil só de previdência de funcionário, que tivemos que demitir gente e que eu trabalho 365 dias no ano e há dez anos ando com um ‘golzinho’. Ninguém quer lesar o consumidor, tanto que não há adulteração em Campo Grande, mas pedimos que a CPI investigue a concorrência desleal”, finalizou Giraldelli.

O relator da CPI, deputado Maurício Picarelli (PSDB), tranquilizou o empresário. “Vamos investigar todas as denúncias recebidas pela CPI e tomar atitudes aos que estão contra as leis. Agradeço sua disponibilidade e coragem de falar”, destacou o relator.

Também compõem a CPI os deputados João Grandão (PT), Coronel David (PSC) e Angelo Guerreiro (PSDB).

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