Empresa aérea encerra voos entre Corumbá e Campo Grande

Alegando ajuste de malha, a Azul não irá mais operar voos entre Corumbá e Campo Grande. A decisão da empresa aérea passará a valer a partir do dia 03 de agosto. Na mesma data, a companhia inicia a oferta de quatro voos semanais entre Corumbá e a cidade paulista de Campinas.

Conexão Corumbá-Campo Grande deixa de operar dia 03 de agosto de 2015
Conexão Corumbá-Campo Grande deixa de operar dia 03 de agosto de 2015

Com essa nova opção de voo, quem parte de Corumbá chega aos Estados Unidos com apenas uma parada em Campinas, por exemplo, além dos mais de 55 destinos domésticos atendidos de forma direta, a partir do aeroporto paulista. O novo voo será realizado pelos jatos Embraer 190, de 106 assentos. Hoje, quem parte de Corumbá com destino a Salvador, por exemplo, precisa parar em Campo Grande e em Campinas antes de seguir para a capital baiana. A partir de agosto, será necessária apenas uma parada.

Pela nova escala informada pela Azul, o voo partirá de Campinas para Corumbá todas as segundas, quartas e sextas, às 12h08, com previsão de chegada às 13h15. Aos domingos, o voo partirá de Campinas para Corumbá às 11h50 com previsão de chegada para às 12h50. De Corumbá para Campinas, sairão voos segundas, quartas e sextas às 13h45 (horário local), com chegada às 16h40. Já no domingo, o voo partirá de Corumbá às 13h20 para chegar em Campinas às 16h16.

No entanto, a novidade trouxe preocupação ao setor de turismo da cidade pantaneira. Raquel Amaral, empresária do ramo turístico, afirma que várias passagens aéreas de Campo Grande para Corumbá já estão compradas em pacotes fechados, até o mês de outubro. Ela não sabe como ficará a situação dos turistas que já adquiriram as passagens. “Os pacotes foram vendidos para os clientes contando com este voo, e aí?”, indaga Raquel. “Corumbá é um grande centro, estão desconsiderando que Corumbá seja uma cidade de grande importância”, afirma.

“Eu já fiz contato com algumas pessoas aqui de Campo Grande que viajam com a gente, são médicos, são pessoas que vão passar o final de semana, vão passear no São João em Corumbá, são pessoas que realmente precisam do voo”, afirma Raquel Amaral. “Você vê a Prefeitura de Corumbá investindo em novos produtos, as pessoas querendo passear em Corumbá, passar um dia no rio, conhecer o Forte Coimbra, no máximo um final de semana. Agora, ficar um final de semana e perder um dia indo e um dia voltando, o turista já não vai querer ir. Querendo ou não, ida e volta dá 840 km. Vai ser um problema para a cidade, tanto para o turismo quanto para a população toda”, enfatiza.

O vice-presidente da Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert), o empresário Luiz Martins, também vê com preocupação o voo direto para Corumbá, ainda mais nesse período de crise que o País enfrenta. “Nosso medo é que esse voo venha só para Corumbá e a cidade não consiga manter o voo lotado, não vai ter gente que realmente compense à companhia manter. Nosso medo é que esse voo acabe sendo cancelado para Corumbá. Acreditamos que a sustentação do voo para Corumbá seria Campo Grande”, frisa.

“É claro que nós queríamos realmente um voo que viesse para Corumbá direto de Campinas, mas nosso medo é que esse voo não seja viável por causa da baixa temporada que nós temos, na época da piracema, que é o período que os pescadores amadores mais utilizam voos de São Paulo a Corumbá. São quatro meses parados, e isso vai dar uma baixa muito grande no número de passageiros. Esse é nosso medo, porque Campo Grande, a gente sabe que já existe uma ocupação, daí pra frente, as conexões ali são mais fáceis”, explica Luiz Martins.

E não é só o setor de turismo em Corumbá que irá sair perdendo com o cancelamento dos voos 6938 (Campo Grande – Corumbá) e 6939 (Corumbá – Campo Grande). A população não terá mais a opção de viajar para Campo Grande de avião em casos de necessidade. “Estamos aqui, passamos por uma cirurgia em Campo Grande, e o médico vai permitir que a gente retorne apenas de avião. Agora, ainda existe esse voo, mas e a partir de agosto? Alguém que passe por essa mesma situação, como fica?”, questiona Raquel Amaral.

Fundação de Turismo apoia a mudança, mas trabalha para manter conexão com a Capital

A diretora-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal, Hélènemarie Dias Fernandes, acredita que essa mudança nos voos da empresa aérea não irá prejudicar o setor de turismo. Ela afirma que há muitos anos os empresários do ramo de turismo almejavam essa ligação direta entre Corumbá e São Paulo, visto que a maior clientela do turismo pantaneiro é proveniente das regiões Sul e Sudeste.

Segundo Hélènemarie, a Fundação de Turismo entrou em contato com Marcelo Bento, diretor de operações da Azul Linhas Aéreas, para saber o que motivou a empresa a cancelar a conexão entre Corumbá e Campo Grande e oferecer quatro voos semanais para Campinas. Marcelo Bento respondeu que há muitos anos o setor de turismo de Corumbá requeria essa conexão direta com São Paulo, centro distribuidor nacional e internacional. Além disso, essa mudança vai otimizar a venda de passagens, já que as conexões para outros destinos compreendem 70% do uso do voo.

“Há dez anos Corumbá não recebe um jato, essa é uma grande oportunidade de atrair cada vez mais turistas para a cidade e Corumbá era a última cidade, segundo ele me informou, do Mato Grosso do Sul, que ainda mantinha esse voo com ligação com a Capital. Dourados já não tem mais, Bonito, há três anos não tem mais e todas as suas conexões são com Campinas”, afirma Hélènemarie.

“Em duas horas você chega ao Pantanal de Corumbá, você não vai precisar mais passar pelas eternas escalas e demoras, isso faz com que o turista, muitas vezes, mude seu roteiro para outro lugar. Hoje, as pessoas têm cada vez menos tempo e quer aproveitar melhor esse tempo nas suas viagens”, assegura Hélènemarie. “O turista que vem para pesca, ecoturismo, turismo de aventura, ele passa a não ter que ficar em Campo Grande, que não é interesse dele, o que prejudica na hora do fechamento dos pacotes para Corumbá”, frisa.

A diretora-presidente da Fundação de Turismo diz saber do impacto que o cancelamento da conexão entre Corumbá e Campo Grande terá sobre o turismo de negócios, mas pelos números expostos pela Azul, não será tão substancial. Ela esclareceu também que o maior cliente dos grandes eventos alavancadores de fluxo de turistas, como Carnaval, São João e Festival América do Sul, é o próprio morador do Mato Grosso do Sul. Segundo dados do Observatório de Turismo, por onde há o monitoramento do fluxo de turistas em Corumbá, a grande maioria dos turistas desses eventos chega à cidade via terrestre.

Hélènemarie esclarece também que a Fundação de Turismo do Pantanal fez solicitação à Azul para que houvesse ao menos três voos semanais ligando Corumbá a Campo Grande. No entanto, a empresa afirmou que neste momento a possibilidade é muito remota porque para que isso aconteça, a empresa precisa alcançar competitividade desse voo vindo para Corumbá. Ela afirmou também que a Fundação de Turismo irá trabalhar para tentar trazer nova companhia aérea que faça a conexão entre as duas cidades sul-mato-grossenses.

“É um desafio para todo o setor de turismo manter a competitividade desse voo. Mas também é uma oportunidade de fomentarmos outras modalidades de turismo, como o ecoturismo, o turismo de aventura, além da pesca. Nós queremos dar visibilidade ao Pantanal, queremos segmentos de turismo que suportem um ao outro, esse é um desafio de todos”, conclui Hélènemarie.

Com Informações diarionline

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