Emocionada, bisavó de bebê resgatada fala de acidente na BR-277

Emocionada com a tragédia que acometeu a família, a bisavó materna de Maria Fernanda, a recém-nascida que sobreviveu ao acidente na BR-277, em Morretes, no litoral do Paraná, agradece o fato da criança estar viva. “Ainda bem que deu para salvar a filhinha dele para ficar de lembrança para a gente”, disse Zenilda Cordeiro Grassmann em entrevista.

Bebê foi salvo de acidente na BR-277, no Paraná / Foto: Reprodução
Bebê foi salvo de acidente na BR-277, no Paraná / Foto: Reprodução

O acidente na rodovia ocorreu em um trecho de Serra, depois que o tanque carregado com 44 mil litros de álcool se soltou do caminhão, atingindo os carros que trafegavam pela BR-277 no sentido oposto. Seis pessoas morreram – entre elas os pais de Maria Fernanda, Caroline Fernanda Grassmann Martins, de 22 anos, e Luiz Carlos Silva, de 26 anos.

Antes de morrer, Luiz Silva tirou a filha do carro e a deixou em um local seguro com o dentista Sérgio Schacht, que entregou para um dos bombeiros que trabalhava na ocorrência. Zenilda considera que o rapaz teve um ato de coragem.

A bisavó lembra que Caroline Grassmann estava enfaixada – o parto de Maria Fernanda foi cesariana.

“Ela, eu acho, não pôde correr bem na hora porque ela estava enfaixada, foi operada havia pouco [tempo].”

No dia do acidente, domingo (3), a criança tinha 17 dias. Segundo a bisavó, o casal foi para Morretes para que a família pudesse conhecer Maria Fernanda.

Para a bisavó, é difícil segurar as lágrimas. “Eles podiam ter posado na casa da mãe para ir mais tarde, a gente nunca sabe o que vai acontecer. Nunca tem previsão de nada.”

Ela conta que os pais estavam felizes com a chegada do primeiro filho. “Estavam tão felizes os dois, tão felizes com essa criancinha, meu Deus, misericórdia, a gente não entende, não entende o que aconteceu”, lamentou Zenilda.

AVÓ QUER A GUARDA

Agora, a menina está com a avó materna. Segundo Zenilda, a avó da criança vai pedir a guarda definitiva. “Ela vai cuidar, o pessoal está dando bastante apoio, bastante carinho para a gente. Ela tem muito amor”.

Ela conta que a filha está abalada com o ocorrido. “A avó está muito triste, não tem consolo, está muito revoltada.”

HOMICÍDIO DOLOSO

O motorista do caminhão-tanque ficou preso por dois dias. Ele foi solto após pagar fiança de R$ 8.800,00. Ele não se feriu.

Segundo a Polícia Civil, o motorista, que tem 43 anos, disse em depoimento que o painel do caminhão-tanque havia sinalizado falha no freio e mesmo assim seguiu viagem. De acordo com as investigações, o dono da empresa permitiu que o motorista usasse o caminhão, mesmo com problemas.

Um inquérito foi aberto, e o motorista foi autuado por homicídio doloso, com dolo eventual. “Embora ele não quisesse produzir o resultado diretamente, ele tinha condição de prever esse resultado e de evitá-lo, assim ele assumiu o risco de produzi-lo”, disse o delegado Antônio Cesar Pereira dos Santos.

A polícia deve começar a ouvir as testemunhas nesta quarta-feira (6). O prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias. O caminhoneiro teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.

“Estamos no aguardo dos laudos do IML, do laudo do Instituto de Criminalística acerca da dinâmica do acidente, da perícia dos veículos, que foram destruídos no acidente, em especial, do caminhão, e outras diligências e o boletim da Polícia Rodoviária Federal para termos o número oficial de vítimas”, explicou o delegado.

A Concórdia Logística S.A, empresa proprietária do caminhão-tanque, informou por meio de nota oficial que lamenta o acidente, que tem apoiado as vítimas e familiares envolvidos e que auxilia nas investigações. (G1)

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