Em parceria, UEMS e Prefeitura da capital lançam cursos de Pós a indígenas

Equipe de docentes será composta por membros da UEMS e da SED/MS. (Foto Divulgação)
Equipe de docentes será composta por membros da UEMS e da SED/MS. (Foto Divulgação)

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande irá ofertar cursos de especialização voltados para a população indígena. A solenidade de lançamento das novas ofertas de pós-graduação ocorreu na tarde quinta-feira (21) no Memorial da Cultura Indígena, na capital.

Os cursos de pós-graduação lato sensu em Língua e Cultura Terena, e o de Linguagens e Questões Etnicorraciais e de Gênero terão duração de 18 meses, com aulas às sextas-feiras à noite e aos sábados.

Será ofertado um total de 470 vagas distribuídas entre as unidades universitárias de Campo grande (170), Dourados (130), Paranaíba (100) e Coxim (70).  O corpo docente será integrado por professores da UEMS e da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e o início das aulas está previsto para este segundo semestre.

Autoridades e o público presente no evento foram unânimes em elogiar a iniciativa, que “dará condições de professores graduados avançarem com participação em pós-graduação. Trata-se de um grande avanço”, de acordo com o coordenador substituto da Funai em Campo Grande,  professor  universitário José Resina Fernandes Júnior, cujas teses de  doutorado e mestrado abordaram  as questões relacionadas ao povo Terena.

Coube ao ancião indígena Calistro Francelino, terena da aldeia Cachoeirinha em Miranda, dar as boas vindas aos presentes – no idioma guarani e em português. Afirmou ser “necessário resgatar o muito que já perdemos e tornar mais conhecida a nossa cultura”. O indígena Lizio Lili, em intervenção à fala de Calistro, afirmou que pra que qualquer projeto dê certo é necessário participação efetiva da comunidade indígena, o que está ocorrendo em relação aos cursos.

O professor Marlon Leal Rodrigues, um dos responsáveis pela elaboração do projeto afirmou que boa parte dos professores que vão atuar no projeto é formada por terenas. “Esta iniciativa não nasceu da academia para os Terena. Foi uma ação inversa. Trata-se de uma nova proposta que nos leva às comunidades para sentir suas necessidades e demandas”. Marlon comentou que “aprendemos muito com este processo de construir coletivamente, a partir das necessidades dos  povo  Terena”.

O acadêmico da UEMS Sergio da Silva Reginaldo, integrante do projeto, fez questão de deixar claro que “a iniciativa teve início a partir de discussões entre acadêmicos de Dourados. A metodologia foi apresentada por professores, mestres e doutores, com participação dos indígenas”. Ressaltou aos “patrícios” que estão questionando o projeto, que se trata de uma iniciativa indígena e que deverá realizar “um sonho que não é só meu e sim de inúmeros integrantes das aldeias” e que dará oportunidade, também, a professores brancos.

Na avaliação da pró-reitora Luciana Ferreira da Silva (Propp), que falou em nome do vice-reitor Laércio de Carvalho, trata-se de um momento muito importante para a UEMS estar selando a parceria.  “Somos pioneiros na implantação das cotas e, agora, pioneiros, também, ao ofertar a oportunidade de progresso no aprendizado dos professores terenas”, destacou Luciana.

A secretária de Educação do município de Campo Grande, Leila Cardoso Machado, informa que a história de parceria começou com uma visita dos professores da UEMS à Secretaria. “Vejo, hoje, como um desafio muito importante. Entendo que a história terena tem de fazer parte da educação. A UEMS está fazendo um trabalho importante, indo às comunidades buscar suas demandas e encaminhar solução”, finalizou Leila.

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