Em meio à corrupção, governo desativa CGU e provoca a ira de servidores em MS

Servidores da CGU-Regional-MS (Controladoria Geral da União em Mato Grosso do Sul) protestam contra o desmonte do órgão pelo governo federal, destinando suas repartições para diferentes ministérios e autarquias federais.

Servidores protestam na capital (Foto: Elvio Lopes)
Servidores protestam na capital (Foto: Elvio Lopes)

Segundo Elber Stilden, vice-presidente do Unacon Sindical (Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças), o órgão vai sofrer intervenção já anunciada pelo governo federal, sob a alegação de corte de gastos.

“O orçamento da CGU não chega a 0,005% do orçamento geral da União, uma quantia muito insignificante para o governo alegar corte de gastos, além dos recursos que técnicos do órgão já ajudaram a recuperar para o País, que superam R$ 23 milhões em apenas dois anos”, afirma Elber.

Ele enfatiza que, no período de 2003 a 2015, foram realizadas no País 182 operações especiais em conjunto com organismos de segurança (polícias Federal e Civil), das quais 11 em Mato Grosso do Sul, que resultaram no esclarecimento de crimes contra o patrimônio público, como as operações Sanguessuga, Lama Asfáltica, Sangue Frio, Decoada e Uragano. “Atualmente, estão em andamento 101 investigações na CGU”, esclarece o sindicalista.

Elber explica que, somente em Mato Grosso do Sul, no período de 2013 a 2015, a CGU Regional MS já recuperou R$ 23 milhões devolvidos ou em devolução aos cofres públicos resultados de trabalhos de fiscalização, cancelamentos e reajustamento de contratos com irregularidades identificadas pelas equipes do órgão no Estado.

“Agimos no esclarecimento do sistema Gisa, que estava causando prejuízos de mais de R$ 10 milhões aos cofres públicos e na área de saúde, com medicamentos, em operação que depois de alastrou pelo país”, destacou.

Segundo Elber, além desses trabalhos, técnicos da CGU atuam nos processos de responsabilização administrativa das empresas envolvidas na Operação Lava-Jato, que resultaram em prisões de vários políticos e empresários.

“Agora, querem separar as estruturas do órgão, em partes ao Ministério da Justiça e à Casa Civil, onde surgiram as maiores falcatruas no governo, com os responsáveis já condenados. O desmonte da CGU não é ajuste econômico, mas ajuste político”, ressalta.

A manifestação de ontem foi em âmbito nacional, com maior destaque em Brasília, contra o desmonte da CGU, reconhecida pelas suas ações efetivas no combate à corrupção em todo o território nacional. “O governo quer acabar com um dos importantes órgãos de combate à corrupção no País, aproveitando-se da reformulação da máquina estatal e retirando do órgão o status ministerial e somos contra essa medida”, concluiu.

Com Informações O Progresso 

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