Policiais ameaçam entregar chaves de todas as delegacias no Estado

Em decisão inédita em assembleia extraordinária realizada na tarde desta sexta-feira (27), os policiais civis do Mato Grosso do Sul entregarão as chaves das celas de todas as delegacias do Estado. A medida é uma forma de manifestação contra o descaso das autoridades competentes em solucionar o desvio de função sofrido pela categoria e que mantém presos custodiados em delegacias. A deliberação foi motivada após a morte do investigador Anderson Garcia da Costa (37 anos) que foi agredido na DP de Pedro Gomes na quarta-feira (25).

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Para o Sinpol-MS, a categoria está cansada do descaso das autoridades que culminaram em diversos casos de agressão e morte. “Não queremos mais mortes, não queremos que outros pais, filhos e defensores dos direitos da sociedade tombem no exercício da profissão. É chegada a hora de um basta!”, declarou o presidente do Sinpol-MS, Giancarlo Miranda.

A categoria pretende manter a manifestação até a próxima terça-feira (01/12) quando há uma reunião agendada com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e Coordenadoria das Varas de Execução Penal do MS. “Esperamos que nesta reunião a Covep e a Sejusp apresente medidas que realmente solucionem o problema, ou no mínimo um planejamento para que essas medidas sejam aplicadas nos próximos seis ou doze meses”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Paulo Queiroz. O movimento já teve início espontâneo com a entrega das celas nas delegacias de Chapadão do Sul e Sonora na quinta-feira (26).

A categoria se reunirá novamente na terça-feira (01) às 19h na sede do Sinpol-MS.

Neste período, os policiais civis não realizarão qualquer tipo de atendimento aos detentos, tais como:

· Fornecimento de refeições e medicamentos;

· Liberação para banho de sol;

· Abertura das celas para visitas familiares, assistência religiosa, atendimento jurídico;

· Receber os detentos condenados que cumprem regime aberto e semiaberto nas delegacias.

Casos de mortes

O investigador Anderson é o sexto caso de policiais civis assassinados no exercício da função em três anos. Relembre os outros casos:

José Nivaldo de Almeida (51) – 28/06/2015 – Investigador – lotado da Delegacia de Polícia de Tacuru. Assassinado enquanto intervinha em uma troca de tiros em um bar próximo a sua residência.

Cláudio Roberto Alves Duarte (39) – 18/03/2015 – Investigador – lotado na Delegacia de Polícia de Aral Moreira. Assassinado enquanto intervinha em um assalto em Ponta Porã.

Weslen de Souza Martins (35) – 12/03/2015 Investigador – lotado na Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo. Foi morto com três tiros disparados por um criminoso, ao tentar impedir um roubo a uma drogaria localizada em Campo Grande.

Marcílio de Souza (51) – 12/02/2014 – Perito papiloscopista – lotado na Delegacia de Polícia de Paranhos. Executado dentro de uma lanchonete quando voltava da Comissaria Paraguaia após informar o furto de um trator ocorrido no município de Sete Quedas (MS).

Dirceu Rodrigues dos Santos (38) – 28/01/2014 – Investigador – lotado na Derf . Morto com três tiros enquanto investigava um caso de roubo de joias em Campo Grande.

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