Eduardo Bolsonaro se envolve na disputa entre JBS e Paper Excellence pela Eldorado Celulose

Da Redação

“Empresa anuncia investimento de R$ 31 bilhões no Brasil até 2022”, afirmou Eduardo Bolsonaro (Imagem: Twitter oficial de Eduardo Bolsonaro)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro e cotado para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, se envolveu na disputa bilionária entre o grupo JBS (JBSS3) e a família Widjaja, uma das mais ricas da Indonésia, dona da Paper Excellence, pelo controle da Eldorado Celulose.

Eduardo publicou uma foto em sua rede social segurando um cheque de R$ 31 bilhões que a Paper Excellence promete investir no Brasil até 2022 caso ganhe a disputa. O presidente Jair Bolsonaro reproduziu a foto, escrevendo que “Hoje, 30/julho, Eduardo @BolsonaroSP, em Jakarta, recebe um cheque simbólico de R$ 31 bilhões da Paper Excellence, valor que será investido no Brasil até 2022. Tudo em função da volta da confiança no Governo Jair Bolsonaro.”

Um cheque semelhante, de R$ 27 bilhões, já havia sido apresentado ao vice-presidente, Hamilton Mourão, durante viagem que fez em maio à China, como forma de tentar ganhar o apoio do governo brasileiro ao grupo. Segundo fontes do mercado, porém, esse investimento já estava programado pela empresa para sua expansão.

Em sua conta, Eduardo, que está de férias na Indonésia para surfar durante o recesso parlamentar, escreveu que recebeu em Jakarta um cheque simbólico de R$ 31 bilhões da Paper Excellence em investimento no Brasil do presidente da empresa, Jackson Widjaya. Segundo Eduardo, o valor será investido no Brasil até o final de 2022 e será “o maior investimento que eu tive notícia recentemente”.

“Só para se ter uma idéia, toda a indústria automobilística investirá R$ 30 bilhões no mesmo período. Com isso estima-se a geração de 4,5 mil empregos diretos e indiretos e mais 4.000 com a ampliação da fábrica. Além disso, a emprega pagará R$ 1 bilhão/ano para o Brasil a título de impostos.”

Eduardo atribuiu o interesse dos indonésios ao governo de seu pai, afirmando que “Isso só foi possível graças ao novo governo Bolsonaro que com Paulo Guedes a frente da Economia e Moro na Justiça o Brasil deixa de ser o país da corrupção e do socialismo e começa a resgatar sua credibilidade internacional, o que se reverte em emprego para os brasileiros e maior saúde financeira para o Estado”.

Ele observa, porém, que para o investimento ser efetivado, “é preciso que se resolva uma lide que hoje envolve a J&F, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista (JBS) e a venda da Eldorado Celulose, que se encontra no ICC (Câmara Brasil-França, um tribunal arbitral). Ele lembra ainda que o BNDES “tem perto de R$ 10 bilhões emprestados para a J&F e outros R$ 10 bilhões em participação societária na JBS (BNDESPar).

A Paper Excellence está em pé de guerra com a J&F no Brasil por conta da compra da Eldorado Celulose. A J&F acusa o grupo Indonésio de não ter honrado o contrato de venda ao não ter conseguido liberar as garantias dos empréstimos contraídos pela Eldorado. Já a Paper Excellence argumenta que a J&F não facilitou a liberação das garantias. O negócio será decidido em arbitragem instalada no inicio desde ano e que estava prevista no acordo de compra e venda, em caso de algum impasse judicial.

Neste ano, em junho, a Paper Excellence sofreu um revés na Justiça dos EUA. A empresa de energia do grupo Berau Coal perdeu o recurso que movia contra sua condenação pela Suprema Corte do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, que a obriga a pagar US$ 186 milhões pelo calote a fundos de investimento americanos. No total, a empresa deve US$ 1 bilhão.

Em 2001, o grupo da família Widjaja entrou em dificuldades e a Asia Pulp & Paper suspendeu o pagamento de R$ 78 bilhões – em valores atuais –, no que foi o maior default da história dos países emergentes.

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