Durães não pode ficar na Câmara após ofender não só a mãe do prefeito, mas a todas as mulheres, diz vereadora

Grupos na Câmara pediram hoje cassação do vereador (Fotos: Lúcio Borges)
Grupos na Câmara pediram hoje cassação do vereador (Fotos: Lúcio Borges)

Grupos de mulheres, dos Direitos Humanos e servidores protocolaram no fim da manhã desta quinta-feira (5), na Câmara de Vereadores de Campo Grande, uma representação pedindo a cassação do vereador Roberto Durães (PSC). O pedido foi feito devido às ofensas graves que ele proferiu na terça-feira (3), a respeito da mãe do prefeito Alcides Bernal, uma senhora de 87 anos, conforme o Página Brazil registrou em outras matérias. Hoje, o movimento, antes do registro oficial do pedido para retirar o mandato do parlamentar, realizou protestos no plenário e até se envolveu em confusão verbal e física, que ocorreram na manhã de hoje, Casa de Lei.

A movimentação quanto às ofensas do vereador Durães, se iniciou com um grupo de pelo menos 50 mulheres, que foi a Câmara protestar e registrar pedido de cassação do parlamentar, que foi antecedido durante a manhã, com recolhimento de mais assinaturas dos presentes, para incrementar a representação contra o vereador, por ele ter feito às declarações ofensivas, quanto a conhecer “muito bem” e “no silêncio dos edredons”, a mãe do prefeito. bef5f489-9a01-4976-99bf-698ea3eaeaa4

A vereadora Luiza Ribeiro (PPS) participou intensamente dos protestos e como a professora Érica Vasconcelos, quer que Durães ‘pague’ o desrespeito e até crime, como consideraram, com a perda do mandato e posteriormente na Justiça. A declaração do vereador casou repercussão negativa, muita revolta social e uma “situação constrangedora”, como considerou o presidente da Câmara, João Rocha (PSDB), que foi seguido por alguns vereadores. O prefeito inclusive confirmou que acionará o parlamentar na Justiça por danos morais.

Para Luíza Ribeiro, o colega não ofendeu somente a mãe do prefeito, ou uma autoridade, em liberdade de posição política. Mas que agrediu a todas as mulheres e cidadãos. “As mulheres foram agredidas na minha frente na última sessão, sem qualquer pudor. Ele fez insinuações bárbaras sobre a vida pessoal dela, uma senhora idosa, mãe, avó. Mas isso, não foi uma simples ofensa, é crime contra as pessoas, contra o estatuto do idoso, contra todas as mulheres. Mas, o mais grave que isto é a visão dele, não foi uma ofensa de momento, que já seria grave. Mas é o machismo impregnado dele contra todas as mulheres, vendo que os direitos humanos de todas nós são menores, inferior aos dos homens. Isto tem que ser corrigido, nesta Casa e na sociedade, temos que dar um exemplo para que isto, que se não acabe, possamos ir evoluindo, melhorando”, discursou inflamada a vereadora.

Volta ao passado

A professora Érica Vasconcelos foi a Câmara para somar ao protesto e requerer uma atitude sensata e firme da direção da Casa de Lei. Ela que viu nesta manhã o pedido de desculpas do vereador, não aceita sua versão ou que o simples pedido possa apagar a situação, que faz uma volta ao passado de forma repugnante e perigosa.

“Pedir desculpas não é suficiente. Ele não ofendeu somente a mãe do prefeito, pro simples disputa política, que já seria grave envolver a vida pessoal de terceiros para atingir o seu adversário. Ele tem que ver que está investido de um cargo público, de uma autoridade e com isso, deve se portar a altura da função antes, durante e depois. Ter a ciência ou temos que dar este exemplo a ele e a todos, que precisa responder com e por seu mandato. Tem que ser retirado, pois não faz jus ao cargo e cometeu falta de decoro parlamentar, que leva a sua saída do mandato”, avaliou a professora da Reme (Rede municipal de Ensino) da Capital.

A titular da Semmu, Leyde Pedroso, a direita.
O grupo de mulheres e a titular da Semmu, Leyde Pedroso, a direita, no protocolo do pedido.

A titular da Semmu (Secretaria Municipal de Políticas Publicas para as Mulheres), Leyde Pedroso, também acompanhou e fez parte do pedido de cassação protocolado. “Estamos indignadas com o que aconteceu nesta Câmara de Vereadores de Campo Grande, neste lugar que deveria estar acima de qualquer suspeita e representar, acolher e não agredir sua população. Viemos aqui para pedir o fim da violência contra as mulheres, que se mostram nestes atos e que foi feita por este vereador. Nós fomos agredida por este vereador, ao dizer direta ou indiretamente, que uma mãe, que nossas mães são uma vagabundas na sua mão. Estamos pedindo esta cassação para mostrar e pedir o fim deste e qualquer ato agressivo. Estamos na resistência pelo direito das mulheres”, disse.

Durães

Hoje, o parlamentar se desculpou e disse que não teve a intenção de ofender a mãe do prefeito e que a briga é política. Ele pediu ainda, ao presidente do Legislativo Municipal, vereador João Rocha (PSDB), que retire da ata a polêmica declaração.

Roberto Durães assumiu a cadeira de vereador, no fim do ano passado, após a cassação de Thaisa Helena (PT), de quem era suplente, com 1.890 votos. Recentemente o ex-petista migrou para o Partido Social Cristão. Em seu primeiro mandato, o parlamentar é conhecido pelos calorosos discursos em que, normalmente aos berros, defende a moralidade. Também não é a primeira vez que o vereador ataca o prefeito da Capital.

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