Dólar recua e fecha menor hoje, mas sobe mais de 8% em agosto

Portal G1

O dólar fechou em forte queda nesta sexta-feira (31), revertendo a alta vista mais cedo, após atuação do Banco Central e com o julgamento das candidaturas de presidenciáveis sob os holofotes. Com isso, subiu mais de 8% no mês de agosto. A moeda norte-americana caiu 1,72%, a R$ 4,0721 Na máxima do dia, chegou a ser cotada a R$ 4,1766 e, na mínima, a R$ 4,0557. Veja mais cotações.

Já o dólar turismo fechou a R$ 4,24, sem considerar a cobrança de imposto (IOF). Na semana, o dólar acumulou queda de 0,79%. Contudo, a moeda fechou o mês de agosto com alta de 8,49% e, no acumulado do ano, teve valorização de 22,89%.

Os investidores ficaram de olho na sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que julga as candidaturas de presidenciáveis. “O mercado está um pouco mais racional hoje, mas deve se manter ainda bastante cauteloso, sobretudo por causa do cenário eleitoral”, disse mais cedo à Reuters o operador de câmbio da corretora Spinelli José Carlos Amado.

A formação da Ptax de final de mês (taxa média calculada pelo BC para balizar contratos) trouxe volatilidade pela manhã, enquanto o mercado acompanhava o cenário exterior. No fim de cada mês costuma haver disputa no mercado para trazê-la mais perto de seus interesses. Assim, a primeira parte do pregão foi mais técnica, com “briga” entre comprados (que apostam na alta do dólar) e vendidos (apostam na queda).

Cenário externo

A trajetória de queda do dólar também ganhou impulso com o apoio do FMI à Argentina. O fundo informou nesta sexta-feira que está trabalhando estreitamente com as autoridades argentinas para fortalecer o programa econômico apoiado pelo fundo no país, expressando confiança de que o país superará suas dificuldades atuais.

O governo de Mauricio Macri disse na véspera que vai anunciar na segunda-feira um pacote de medidas para reduzir o déficit fiscal do país. O peso estava instável nesta sessão, mas subia ante odólar no começo da tarde.

As atenções também ficaram voltadas para as negociações entre EUA e Canadá sobre o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que ainda não teve um acordo, segundo a ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland. O presidente Trump havia dado prazo até essa sexta-feira para a conclusão do acordo.

Investidores ainda monitoravam as relações dos EUA com a China e União Europeia, o que sustentava o avanço do dólar ante a cesta de moedas.

Intervenção do Banco Central

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente US$ 2,15 bilhões em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), rolando o vencimento do dia 5 de setembro. Foram realizados dois leilões: o primeiro aconteceu de 12h15 até 12h20 e o segundo, de 12h30 até 12h35.

A autoridade anunciou na véspera o início da rolagem dos US$ 9,801 bilhões em swaps cambiais tradicionais, equivalente à venda futura de dólares, que vencem em outubro.

O BC também fará na próxima segunda-feira (3) o primeiro dos leilões para rolagem, com oferta de 10,9 mil contratos. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

A decisão foi tomada depois que o nervosismo da quinta-feira içou a moeda acima de R$ 4,20 e levou o BC a promover uma intervenção extraordinária no câmbio por meio de swaps.

“O BC deu um antitérmico para abaixar a febre do mercado”, ilustrou Amado. “O mercado estava muito sensível ontem.”

Na véspera, o Banco Central informou em comunicado que sua atuação no mercado cambial é “separada de sua política monetária [definição dos juros para atingir as metas de inflação], não havendo, portanto, relação mecânica entre a política monetária e os choques recentes”.

Pregão anterior

Na véspera, o dólar subiu 0,63%, a R$ 4,1434, no maior patamar desde 21 de janeiro de 2016. Na máxima do dia, a cotação chegou a R$ 4,2144, mas perdeu força após o BC anunciar leilão adicional de swaps cambiais tradicionais.

Novo patamar e perspectivas

A recente disparada do dólar, que voltou a romper a barreira dos R$ 4 após 2 anos e meio, acontece em meio às incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores têm comprado dólares em resposta a pesquisas que mostram uma fraqueza de candidatos voltados a reformas alinhadas com o mercado. Além disso, o nervosismo gera maior demanda por proteção, o que pressiona o real. Exportadores, empresas com dívidas em dólar e turistas preocupados correm para comprar e ajudam a elevar o preço da moeda americana.

Outro fator que pressiona o câmbio é a perspectiva de elevação das taxas básicas de juros nas economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia, o que incentiva a retirada de dólares dos países emergentes.

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