Dólar fecha em forte alta, com preocupações sobre a China

A moeda norte-americana avançou 1,61%, a R$ 3,2338, na venda No ano, a moeda já tem valorização de 21,63%

O dólar subiu em relação ao real nesta quarta-feira (8), em meio a preocupações com a fraqueza das bolsas da China, com investidores temendo que isso possa ser um sinal de desaceleração mais firme no país, que é a segunda maior economia do mundo. Além disso, o mercado continua preocupado com a crise da dívida da Grécia.

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A moeda norte-americana avançou 1,61%, a R$ 3,2338, na venda. Veja cotação. Este é o maior valor desde março, quando, no dia 27, a moeda fechou a R$ 3,2405.

Na semana, a moeda acumula alta de 3,01% e no mês, de 4,02%. No ano, a valorização é de 21,63%.

Desaceleração na China

“A forte correção nos mercados acionários da China pode ser indício de uma desaceleração mais ampla do gigante asiático, e quem deve sofrer com isso são aqueles países exportadores de commodities [produtos básicos], como o Brasil”, escreveu em nota a clientes o operador Jefferson Luiz Rugik, da corretora Correparti, segundo a Reuters.

Nesta quarta-feira, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 5,90%, em um clima de pânico, apesar das novas medidas das autoridades e da suspensão da cotação de quase 1.300 títulos do mercado chinês. O índice de referência perdeu 219,93 pontos, a 3.507,19 unidades, depois de operar em queda de 8% durante a sessão. A Bolsa de Shenzhen fechou em baixa de 2,50%.

As bolsas de valores chinesas têm protagonizado uma queda livre nas últimas sessões, com empresas correndo para escapar do desastre, tendo suas ações suspensas e os principais índices acionários do país despencando, após o regulador alertar sobre um “sentimento de pânico” apoderando-se de investidores.

Nesse contexto, o dólar se fortalecia em relação a moedas como os pesos chileno e mexicano.

No Brasil

O movimento de alta era muito mais intenso no Brasil que em outros mercados, com investidores citando fluxo de saída de divisas. A saída de dólares na economia brasileira superou a entrada de divisas em US$ 4,694 bilhões no mês de junho, informou o Banco Central nesta quarta. É o pior resultado mensal deste ano.

Além disso, operadores afirmaram que a escalada da moeda norte-americana nesta sessão e na anterior ativou uma série de operações automáticas de compra de dólares para limitar perdas de investidores (o chamado “stop-loss”). Com mais compradores, o valor tende a subir.

“O mercado vinha em um movimento de baixa. Uma alta forte como essa faz mais estrago nesses casos, porque pega o mercado de surpresa”, disse à Reuters o operador de uma corretora internacional, que falou sob condição de anonimato.

Em junho, a divisa norte-americana acumulou queda de 2,46% em relação ao real, após ter saltado quase 20% neste ano até o fim de maio.

Segundo a Reuters, a Verde Asset Management destacou em seu relatório mais recente do Fundo Verde que considera como equivocada a avaliação de investidores estrangeiros de que o real já corrigiu tudo o que deveria e considera que o dólar tem espaço para subir ainda mais no Brasil.

Fator Grécia

A Grécia tem até o final da semana para chegar a um acordo com os europeus para conseguir ajuda financeira, afirmou nesta terça-feira (7) o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, após reunião dos lideres da zona do euro em Bruxelas.

A Grécia entrou com um pedido formal de um empréstimo de resgate junto ao fundo de suporte especial da zona do euro, disse nesta quarta-feira o porta-voz do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês).

No último dia 30, expirou o programa de ajuda à Grécia, existente desde 2012 e firmado por um mecanismo criado pelos europeus para ser temporário, o EFSF. A Grécia ainda tinha € 1,8 bilhão a receber por esse mecanismo, mas o governo recusou as reformas exigidas, que incluíam aumento de impostos e cortes nas aposentadorias.

Mais cedo, o BC (Banco Central) deu continuidade ao seu programa de interferência no câmbio e seguiu a rolagem dos swaps cambiais que vencem em agosto, com oferta de até 6 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares.

G1

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