Dólar fecha em alta nesta 2ª, com mercado atento ao cenário político

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (23), após o governo divulgar a nova meta fiscal que enviará ao Congresso, com rombo de até R$ 170,5 bilhões em 2016, e após divulgação de conversa gravada do ministro do Planejamento, Romero Jucá, na qual ele sugere que uma troca no governo federal resultaria em ‘pacto’ para frear os avanços da operação Lava Jato.

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A moeda norte-americana subiu 1,92%, a R$ 3,5823 na venda.

No mês de maio, o dólar tem valorização de 4,1%. Em 2016, contudo, a moeda dos EUA tem perda de 9,26%.

O Banco Central não anunciou para esta segunda qualquer intervenção cambial, mantendo-se ausente do mercado pelo 3º dia de negócios seguido.

O governo federal enviará ao Congresso nesta semana uma proposta que prevê um déficit (despesas maiores do que receitas) das contas públicas de até R$ 170,5 bilhões em 2016. Se confirmado, será o pior resultado da série histórica, que tem início em 1997.

Segundo a Reuters, há temores de que a campanha pelo reequilíbrio das contas públicas brasileiras sofra mais um impasse após notícias sugerirem que o ministro do Planejamento, Romero Jucá, teria sugerido um ‘pacto’ para deter a operação Lava Jato.

“A política continua falando mais alto do que a economia. A oposição vai cair matando no Congresso e existe a possibilidade concreta de (Jucá) ser afastado”, disse à agência o operador da corretora Ativa Arlindo Sá.

“Perder um soldado já na largada seria muito ruim para a credibilidade desse governo, ainda mais por acusações de obstrução de Justiça”, acrescentou.

Jucá disse que os diálogos não trazem novidade em relação ao posicionamento dele sobre a crise política e econômica do país e que não pretende deixar o ministério. Segundo o ministro do Planejamento, o “pacto” a que ele se refere seria para destravar a economia, e não um acordo para barrar a Operação Lava Jato.

Contas públicas

Após o anúncio da proposta de meta fiscal na semana passada, alguns operadores se decepcionaram com a falta de anúncio de medidas concretas para reduzir o rombo.

“O novo governo Temer precisa alcançar um equilíbrio delicado, anunciando novas medidas e ao mesmo tempo assegurando apoio no Congresso”, escreveram analistas do banco JPMorgan em nota a clientes, segundo a Reuters. “O governo precisa demonstrar progresso constante ou corre o risco de frustrar as expectativas”.

Semana passada

O dólar fechou em queda na sexta-feira (20), acompanhando o bom humor nos mercados externos e após o Banco Central não anunciar intervenção cambial pelo segundo dia consecutivo. A moeda norte-americana caiu 1,46%, a R$ 3,5146 na venda. (G1)

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