Dólar fecha em alta e volta a ficar acima da barreira dos R$ 3

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (11), após ter caído nas últimas quatro sessões e fechado abaixo de R$ 3 na sexta-feira (8). O mercado reagiu a uma piora no cenário econômico, com projeções mais pessimistas para a inflação e o PIB. Também tiveram influência expectativas sobre a Grécia.

A moeda norte-americana subiu 2,31% frente ao real, a R$ 3,0525 na venda. Veja cotação. No mês, o dólar acumula alta de 1,31% e no ano, de 14,81%.

“Quando ficou claro que (o dólar) não ia se sustentar abaixo de R$ 3, muita gente voltou para comprar depois de uma queda relevante”, resumiu à Reuters o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

As previsões do mercado para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano voltaram a piorar, segundo o relatório do BC divulgado nesta segunda. A expectativa é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 8,29% neste ano, e de uma retração de 1,20% no PIB.

O dólar também ganhava terreno contra o euro e outras moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano, mas o movimento foi mais forte no Brasil após a divisa acumular queda de 3,16% nos quatro sessões anteriores, segundo a Reuters.

Cenário externo

No fim de semana, a China cortou sua taxa de juros pela terceira vez em seis meses para estimular sua economia, que deve ter seu pior ano em 25 anos. “Embora amplamente antecipada pelos mercados, a decisão é importante para as commodities e emergentes”, escreveu o operador da Correparti Ricardo Gomes da Silva em nota, segundo a Reuters.

“O contraponto no mercado cambial vem da Grécia”, afirmou sobre as preocupações com a crise grega. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, reconheceu que não é provável que a reunião de ministros da zona do euro resulte em um acordo para aliviar o aperto de liquidez da Grécia.

À tarde, o Eurogrupo elogiou em comunicado os progressos nas negociações, mas ressaltou que ainda é necessário avançar muito mais para chegar a um acordo.

Interferência do Banco Central

Alguns operadores acreditam que o BC pode aproveitar a queda recente da moeda norte-americana para diminuir sua interferência no câmbio, reduzindo sua posição em swaps cambiais, o que limita o espaço para quedas.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de swaps para rolagem dos contratos que vencem em junho. Ao todo, foram rolados o equivalente a US$ 2,361 bilhões, ou cerca de 24% do lote total, que corresponde a US$ 9,656 bilhões.

“(O nível de R$ 3) está se delineando como um patamar importante e o BC pode aproveitar a queda do dólar para diminuir ainda mais a exposição” em swaps, disse à Reuters o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

G1

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