Dólar fecha a segunda-feira cotado a R$ 3,55, maior cotação no ano

O dólar fechou nesta segunda-feira (28) acima de R$ 3,55, na maior cotação do ano, renovando máximas em mais de 12 anos, reagindo à intensa aversão ao risco nos mercados globais após as bolsas da China derreterem diante dos sinais de desaceleração da segunda maior economia do mundo.

Moeda norte-americana fechou a R$ 3,55 (Foto: Ilustração)
Moeda norte-americana fechou a R$ 3,55 (Foto: Ilustração)

A moeda norte-americana encerrou a sessão cotada a R$ 3,5525, em alta de 1,62% ante o real, na maior cotação de fechamento desde 5 de março de 2003, quando foi negociado a R$ 3,555.

Na máxima da sessão, o dólar chegou a subiu 2,43%, negociado a R$ 3,5809, nível mais alto no intradia desde 27 de fevereiro de 2003, quando foi a R$ 3,6050.

No mês o dolar acumula alta de 3,73%. No ano, a valorização é de 33,62% frente ao real.

A maior cotação do ano até então tinha sido no fechamento do dia 6 de agosto, quando o dólar encerrou a R$ 2,5374.

Comportamento no dia

Confira a variação do dólar durante o pregão desta segunda-feira:

Às 9h18: subia 2,05%, a R$ 3,5676

Às 9h50: subia 1,44%, a R$ 3,5464

Às 10h50: subia 1,82%, a R$ 3,5599

Às 11h10: subia 1,47%, a R$ 3,5477

Às 11h30: subia 1,19%, a R$ 3,5378

Às 11h59: subia 1,29%, a R$ 3,5413

Às 12h20: subia 1,61%, a R$ 3,5525

Às 12h40: subia 1,39%, a R$ 3,5448

Às 13h: subia 1,69%, a R$ 3,5553

Às 13h48: subia 1,3%, a R$ 3,5416

Às 14h18: subia 1,17%, a R$ 3,5370

Às 15h20: subia 1,67%, a R$ 3,5545

Temores com a China

A forte turbulência nos mercados nesta segunda tinha como pano de fundo as preocupações com a China, diante das indicações de que a desaceleração da economia chinesa poderá ser maior do que vêm indicando as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) oficial.

“São forças de pânico, não há racionalidade. Em um dia como hoje, não há nada a fazer: é esperar e ver o quanto o dólar sobe”, disse à Reuters o economista da 4Cast, Pedro Tuesta.

Ele ressaltou, no entanto, que o avanço visto mais cedo foi exagerado. Além disso, ponderou que, “se não houver recuperação, o Fed preferirá adiar (a alta dos juros). Os danos foram significativos”.

“Os agentes internacionais esperavam que o banco central chinês anunciasse novas medidas no final de semana para dar suporte ao sistema financeiro. Como nada foi feito, as principais bolsas chinesas fecharam novamente com fortes quedas hoje, arrastando as demais praças para um pregão de perdas”, escreveu o operador da corretora SLW, em nota a clientes, João Paulo de Gracia Correa.

As bolsas de Xangai e Shenzhen desabaram mais de 8% nesta sessão, reforçando o quadro de preocupações com a China, que vem afetando o apetite por ativos de risco, como aqueles denominados em reais, nos mercados globais.

Cenário doméstico

No Brasil, preocupações políticas também atingiam o ânimo dos agentes financeiros, após o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, determinar que as contas de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff e o PT sejam investigadas por suposta prática de crimes, argumentando que há “vários indicativos” de que ambos foram financiados por propina desviada da Petrobras.

Os mercados financeiros têm sido profundamente afetados pelas incertezas em torno da permanência de Dilma no cargo até o fim de seu mandato. “Está cada vez mais difícil imaginar a luz no fim do túnel”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Agentes financeiros também buscavam pistas sobre a intervenção do Banco Central no câmbio, uma vez que a autoridade monetária aumentou sua atuação na última vez em que a moeda dos EUA operou em patamares próximos aos atuais.

“A atuação do BC pode diminuir o ritmo da alta, mas com certeza não vai impedir que o dólar suba. É um movimento global”, disse o operador de um banco internacional.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 11 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence no próximo mês.

Ao todo, o BC já rolou 7,562 bilhões de dólares, ou cerca de 75 por cento, do total de 10,027 bilhões de dólares e, se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote.

G1

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