Dólar fecha a R$ 3,86, de olho em cenário no Brasil e dados dos EUA

O dólar fechou em forte alta nesta sexta-feira (4), em meio às persistentes incertezas envolvendo o cenário político e econômico interno e após os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos mostrarem números que reforçaram visões de que os juros podem subir neste ano naquele país.

Moeda norte-americana encerra a semana em alta (Foto: ILustração)
Moeda norte-americana encerra a semana em alta (Foto: ILustração)

A moeda norte-americana subiu 2,68%, a R$ 3,8605 para venda. Veja cotação. Esta é a maior cotação de fechamento desde 23 de outubro de 2002, segundo a Reuters.

Na semana, a moeda subiu 7,68%. No mês e no ano, há alta acumulada de 6,43% e 45,2%, respectivamente.

Essa forte valorização do dólar comercial reflete na cotação nas casas de câmbio, que vendem o dólar turismo, valor que é sempre maior que o divulgado no câmbio comercial. Em casas de câmbio pesquisadas pelo G1, o dólar turismo se aproximou de R$ 4,30 nesta sexta.

Veja a cotação ao longo do dia:

Às 9h10, subia 0,45%, a R$ 3,7770.

Às 9h49, subia 0,93%, a R$ 3,7951.

Às 10h40, subia 0,7%, a R$ 3,7917.

Às 11h19, subia 0,84%, a R$ 3,7917.

Às 11h59, subia 1,19%, a R$ 3,8047.

Às 12h29, subia 1,23%, a R$ 3,8063.

Às 12h59, subia 1,37%, a R$ 3,8113.

Às 13h29, subia 1,67%, a R$ 3,8227

Às 14h, subia 1,65%, a R$ 3,8217.

Às 14h12, subia 2,18%, a R$ 3,8343.

Às 14h19, subia 2,18%, a R$ 3,8418.

Às 14h59, subia 2,15%, a R$ 3,8409.

Às 15h29, subia 2,34%, a R$ 3,8481.

Às 15h57, subia 2,27%, a R$ 3,845.

Às 16h12, subia 2,32%, a R$ 3,847.

“Não teve novidade (para ampliar a alta). E a gente continua sem ver nenhuma notícia boa”, disse à Reuters o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Pouco após a abertura dos negócios, foram divulgados dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que mostraram desaceleração do crescimento do emprego no mês passado.

No entanto, os dados de junho e julho foram revisados para cima, o que pode influenciar o Federal Reserve, banco central dos EUA, a elevar a taxa de juros em breve.

“Os investidores gostaram das revisões. Estes números reforçam as expectativas de aumento de juros ainda para este mês por parte do Fed”, escreveu o operador de câmbio da Correparti Corretora Jefferson Luiz Rugik, em nota a clientes, segundo a Reuters.

Juros mais elevados nos EUA podem atrair para o país recursos atualmente investidos em outros mercados, como o Brasil. Por isso, expectativas de alta na taxa tendem a motivar valorização do dólar em relação ao real.

Cenário interno

No Brasil, os investidores também continuavam de olho no cenário político e econômico conturbado. Na véspera, o vice-presidente Michel Temer afirmou, em encontro com empresários, que considera difícil a presidente Dilma Rousseff concluir o atual mandato se a popularidade dela continuar muito baixa, alimentando visões de que o atual governo está com a base cada vez mais fraca.

Na véspera, o governo fez esforço concentrado para demonstrar que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, segue na condução da economia do país, apesar de intensas especulações de perda de espaço e de que ele deixaria o cargo.

“O mercado arrefeceu ontem depois da notícia que o ministro Levy fica, mas ainda permanece esse ranço, essa preocupação de até que ponto isso é verdade”, disse à Reuters o gerente de câmbio da Treviso Corretora Reginaldo Galhardo.

O fim de semana prolongado, com os mercados fechados no Brasil e nos EUA na segunda-feira devido a feriados nos dois países, também ajudava a manter os investidores cautelosos nesta sessão.

Intervenção do BC no câmbio

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 9,45 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence em outubro.

Ao todo, o BC já rolou US$ 1,823 bilhão, ou cerca de 19% do total de US$ 9,458 bilhões e, se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote até o final deste mês.

G1

 

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