Dólar emenda quinta alta e fecha a R$ 3,369, maior valor em mais de 12 anos

Moeda fechou o dia com alta de 0,15% (Foto: Ilustração)
Moeda fechou o dia com alta de 0,15% (Foto: Ilustração)

O dólar comercial reduziu o avanço na tarde desta terça-feira (28), após chegar a atingir R$ 3,435. Mesmo assim, a moeda emendou a quinta alta seguida e fechou com valorização de 0,15%, a R$ 3,369 na venda.

Com isso, o dólar se mantém no maior valor em mais de 12 anos, desde 27 de março de 2003, quando fechou a R$ 3,386.

Somente nas última cinco sessões, o dólar acumula valorização de 6,17%.

Agência mantém nota do Brasil, mas ameaça corte

Mais cedo, a agência de avaliação de risco Standard & Poor’s (S&P) manteve a nota de crédito de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BBB-“, mas trocou a perspectiva de “estável” para “negativa” —isso significa que a tendência é de rebaixamento, em vez de manutenção, nos próximos 12 a 18 meses. Com isso, o país manteve o chamado “grau de investimento”, uma espécie de selo de bom pagador.

“O mercado estava esperando algo semelhante. A surpresa é que veio da S&P, e não da Moody’s”, afirmou o economista da 4Cast Pedro Tuesta à agência de notícias Reuters. A Moody’s está prestes a avaliar a nota do país novamente.

Tuesta afirmou que a alta do dólar perdeu força à tarde após a analista da S&P Lisa Schineller dizer esperar que o cenário fiscal melhore e que o país evitará o rebaixamento. “Não sei por que pioraram a perspectiva, então”, afirmou o economista.

De olho no Congresso e no BC dos EUA

Investidores já vinham demonstrado preocupação com a possibilidade de o Brasil perder seu grau de investimento, após cortes nas metas fiscais do governo deste e dos próximos anos surpreenderem e decepcionarem os mercados financeiros.

O cenário político conturbado também pesa neste momento, em que o governo depende muito do Congresso –em pé de guerra com o Executivo– para aprovar as medidas de ajustes fiscais. Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a afirmar que fará todos os esforços junto ao Legislativo “para garantir a previsibilidade fiscal”.

Outro fator importante para os próximos passos do dólar é a reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, que termina na quarta-feira. Sinalizações de que o Fed caminha para elevar os juros ainda neste ano podem servir de gatilho para a moeda norte-americana dar mais um salto, afirmaram operadores, uma vez que pode atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados no Brasil.

“A verdade é que o dólar não tem motivo para cair. Qualquer queda vai ser um alívio temporário”, disse mais cedo a operadora de um banco nacional.

Atuação do Banco Central

Investidores aguardavam também novas pistas sobre como o Banco Central deve agir no mercado de câmbio. A valorização do dólar tende a aumentar a inflação, que já está alta.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares). Com isso, já rolou o equivalente a US$ 5,684 bilhões, ou cerca de 53% do lote que vence no início de agosto, que corresponde a US$ 10,675 bilhões.

Nos últimos meses, o BC tem feito rolagens parciais e caminha para repor cerca de 60% do lote de agosto. Operadores têm afirmado que, se mantiver essa proporção para o lote de setembro, o BC sinalizaria que está confortável com o avanço da moeda norte-americana.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

Com Informações REUTERS

 

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