Diretor do Twitter tenta reerguer duas empresas ao mesmo tempo

Desde que assumiu de novo o comando do Twitter, em outubro, o co-fundador da rede social, Jack Dorsey, está tão atarefado que um alto executivo da empresa precisou fazer as vezes de motorista para ter alguns minutos de sua atenção.

Jack Dorsey
Jack Dorsey

Omid Kordestani, chairmain da companhia, dirigiu por uma manhã um carro elétrico Tesla enquanto a dupla falava sobre negócios, conta reportagem do “Wall Street Journal”, publicada na semana passada.

Dorsey voltou à direção do Twitter com a missão de capitanear a empresa rumo à saúde financeira. A rede social tem mostrado, trimestre após trimestre, que não consegue gerar lucro ou sequer aumentar significativamente sua base de usuário ativos.

Semanas após reassumir o comando, o empresário se viu obrigado a demitir 8% de seus funcionários. Não seria uma trabalho nada fácil mesmo se fosse o único diante de Dorsey. Mas, para ele, a rotina é de jornadas dobradas.

Enquanto Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, planeja a licença-paternidade para cuidar do bebê que espera com a mulher, Priscilla Chan, Dorsey não tem trégua. No caso do diretor do Twitter, o nome do outro filho é Square, a empresa de pagamentos de que ele também tem de cuidar sem nunca tirar os olhos do primogênito problemático.

PROCURANDO EXPANSÃO

A abertura de capital do Square, há um mês, colocou Dorsey na posição peculiar de um executivo a administrar duas empresas com ações negociadas nas bolsas de valores. E de agradar a investidores.

Zuckerberg terá tranquilidade para cuidar do primeiro filme quando ele chegar. O Facebook bateu há muito a marca de 1 bilhão de usuários ativos e o Instagram, rede social de fotografias adquirida por ele e seus investidores, já ultrapassou o Twitter em integrantes.

Não bastasse os problemas do filho mais velho, Dorsey vê o caçula seguir os mesmos passos do irmão. O Square registrou no último trimestre contábil prejuízo líquido de US$ 54 milhões.

Não é fácil equilibrar a atenção entre as duas empresas, conta o “Wall Street Journal”. Dorsey tipicamente começa o dia em um café entre as duas sedes. Pela manhã, tem reunião com os executivos-chefes do Twitter. À tarde, repete o procedimento com os do Square. Não tem escritório ou sequer mesa em nenhuma das duas empresas.

Fontes ouvidas pelo jornal novaiorquino dão conta de que o temperamento calmo e inclinado à prática de meditação e ioga de Dorsey ajudaram a levantar a moral da empresa em tempos difíceis.

Mas gerentes não param de deixar o Twitter, caso do chefe de design, do diretor de estratégias corporativas e do executivo-sênior de engenharia, que saíram ou anunciaram planos para sair da companhia.

Folha.com

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