Desembargador nega pedido de Palocci para ser ouvido no TRF-4

iG / SF

Ex-ministro se disse disposto a detalhar caixa dois ao PT, mas relator da Lava Jato no TRF-4 considerou que não cabe à Corte colher essas informações.

Antonio Palocci em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro. Reprodução / JFPR

O relator dos recursos da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), desembargador João Paulo Gebran Neto, rejeitou pedido da defesa de Antonio Palocci para que o ex-ministro fosse interrogado mais uma vez.

A petição havia sido protocolada na semana passada pelos advogados de Palocci no âmbito de ação penal na qual ele foi condenado a 12 anos e 2 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro.

A defesa do ex-ministro alegou no pedido que Antonio Palocci pretende “cooperar na elucidação dos fatos criminosos”, inclusive relatando detalhes sobre a origem e destino de doações ilegais feitas ao Partido dos Trabalhadores. Gebran Neto, no entanto, entendeu que não cabe ao TRF-4 colher esse tipo de informação.

“O réu se defende daquilo que consta no processo, não sendo possível ampliar a discussão para além da matéria devolvida à Corte Recursal, que deverá examinar os recursos voluntários à luz da prova já colhida. Se há fatos a serem revelados, devem ser prestadas as informações perante a autoridade policial ou o Ministério Público Federal”, afirmou o desembargador em decisão liminar.

Preso desde setembro de 2016 em Curitiba, Palocci foi condenado nessa ação penal em junho do ano passado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz Sérgio Moro entendeu que o ex-ministro recebeu recursos da “conta corrente da propina” da construtora Odebrecht e lavou o dinheiro por meio de pagamentos no exterior aos então marqueiteiros do PT João Santana e Mônica Moura.

O que Palocci tem a dizer
O ex-ministro já abriu negociações para se tornar um delator , mas não houve acordo com o Ministério Público Federal (MPF) até hoje.

Ao TRF-4, a defesa do ex-ministro disse que ele pretendia abordar assuntos como a formação e o financiamento da Sete Brasil, o esquema de propina envolvendo a compra de sondas, os atos por ele praticados na operacionalização do recebimento de propinas, as vantagens indevidas solicitadas, a origem e o destino das propinas.

Palocci já havia dado sinais de mudança de estratégia de defesa em depoimento prestado em setembro do ano passado ao juiz Moro no âmbito da ação na qual ele e Lula são réus.

Na ocasião, Palocci revelou a existência de um “pacto de sangue” entre o Partido dos Trabalhadores e a Odebrecht . Esse “pacto” envolvia, nas palavras de Palocci, “um presente pessoal” a Lula, que seria “um sítio, um prédio de um museu pago pela empresa, palestras pagas a R$ 200 mil” e uma “reserva de R$ 300 milhões que foram sendo disponibilizados com a planilha entregue pela empreiteira”.

O PT reagiu às declarações de Antonio Palocci afirmando que o ex-ministro demonstrava “fraqueza de caráter”. Após isso, o ex-chefe da Fazenda nos governos petitas de Lula e Dilma decidiu pedir desfiliação do Partido dos Trabalhadores.

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