‘Desculpa não, queremos é cassação’ ecoou em novo protesto contra Durães e ‘desculpas’ aceita pela Câmara

Camara22O “conheço muito bem no silêncio dos edredons”, não será esquecido como resumo da fala proferida pelo vereador Roberto Durães (PSC), no último dia 3, contra a mãe do prefeito Alcides Bernal, e que foi considerada crime contra uma idosa de 87 anos e ofensa a todas as mulheres de Campo Grande. Após a polêmica e já muitos protestos até com confusão, realizados na semana passada, um bom grupo esteve novamente nesta terça-feira (10) na Câmara Municipal manifestando repúdio a Durães e para ratificar que a população ou os grupos organizados, não aceitam o pedido de desculpas na Câmara e querem a cassação do parlamentar.

O pedido já foi requerido na última quinta-feira (5) por um grupo de mulheres e também até ontem, já havia mais outros dois requerimentos entrado na Casa de Lei, incluindo a do prefeito, conforme o Página Brazil apontou no sábado sua decisão, e o terceiro do radialista Joel Silva. O grupo, de movimento social, também lembrou e aproveitou para pedir o andamento da operação Cofee Break, que envolve boa parte do Legislativo. “Desculpas não, queremos é a cassação”, “Respeito, respeito as mulheres”, “Durães respeita minha mãe”, eram as falas dos manifestantes no plenário da Câmara, que portavam ainda faixas, cartazes, e até um edredon com dizeres em protestos.

Os manifestantes mais uma vez interromperam e não levavam em consideração o pedido de ordem do presidente da Casa, João Rocha, que chegou a ficar irritado, como de outras vezes, ainda mais que os presentes levantavam cartazes pedindo o respeito às mulheres e ironizavam os vereadores servindo café e davam gritos de ordem, que não é permitido conforme o regime interno da Casa, que era tentado ser praticado por Rocha.

A estudante Camila Jara, de 21 anos, que apontou ser integrante do movimento Juventude Frente Popular, diz que o grupo quer a saída de Roberto Durães (PSC), para reparar a ofensa-crime, honrar o Legislativo e dar exemplo de respeito a uma idosa e as mulheres. Como ainda, ver a maior apuração na Operação Coffe Break, que ainda não foi finalizada na PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) do Ministério Público Estadual. O caso até voltou a tona na semana passada, conforme o Página Brazil publicou, com a posse do novo procurador geral, Paulo Passos, que prometeu dar um ‘fim’ no processo e até mencionou que irá encaminhar a Justiça, como a população imagina acontecer.

“Uma simples desculpas não apaga, pode até redimir um pouco, mas tira o que ele fez com todas as cidadãs de nossa cidade e Estado. Desculpas não, eu, nós queremos é a cassação. Pois é o instrumento para se reparar, pagar um erro feito no ‘cumprimento’ de uma função pública e ainda mais neste status de representante do povo. É reparação da honra da senhora, das mulheres e do própria Câmara. E como já vinhamos fazendo, vamos também aproveitar para reavivar e ou ver a continuidade e acima de tudo o fim com resultados também da Coffe Break, que apontou também crime de muitos coelgas de Durães, antes dele chegar aqui e jogar de vez a Câmara na latrina”, disse a jovem.

Presidente tenta barrar manifestação

joão rocha2-4O presidente João Rocha novamente foi enfático em criticar as manifestações em plenário e tentou impor o regimento interno. Os manifestantes não se intimidavam e gritavam. Contudo, o ‘folego’ acabava e ânimos voltavam ao normal e Rocha não encerrou a sessão desta vez. Mas, em represália aos manifestantes, ele suprimiu a fala livre do dia, que seria utilizada para ler uma moção de repúdio elaborada pelo grupo contra Durães.

Diante disso, a vereadora Luíza Ribeiro (PPS), disse estar emocionada com o “Câmara de Vereadores estar tornando a vida das mulheres mais difícil”, e fez um apelo para que pudesse falar em favor dos grupos que protestavam no plenário. A vereadora Magali Picarelli (PSDB) e Alex do PT demonstraram apoio à Luíza Ribeiro.

Diante das manifestações dos vereadores, o presidente da Câmara decidiu conceder sete minutos de fala para que Luíza pudesse dar sua palavra. Em seu discurso, a vereadora chamou Durães de “covarde” por se ausentar da sessão, e repudiou a fala do vereador do PSC, reforçando que “tem certos comportamentos que não cabem desculpas”.

Após a fala de Luíza, João Rocha retrocedeu, permitindo inclusive que o vereador Alex do PT lesse a moção de repúdio à Durães elaborada pelos manifestantes. O presidente da Câmara chegou a elogiar a fala de Luíza, dizendo que a vereadora “teve prioridade perante a tribuna, mostrando um comportamento que todos parlamentares deveriam adotar”. Sobre a cassação do vereador do PSC, Rocha se limitou a dizer que “desde o início a Casa tem seguido todos os ritos que determinam o regimento interno e a lei orgânica”. Contudo, anteriormente Rocha havia já aceitado o pedido de desculpas e havia até ‘enterrado’ qualquer punição ao vereador. Na quinta-feira (5), Rocha até anunciou ‘artificio legal’ para livrar o parlamentar, conforme publicamos.

Caso

Durães pode se livrar de ter mandato cassado - Foto: Lúcio Borges
Durães pode se livrar de ter mandato cassado – Foto: Lúcio Borges

Roberto Durães, na última terça-feira (3), fez um discurso polêmico na Câmara dos Vereadores, ofendendo a mãe do prefeito Alcides Bernal ao dizer que teria conhecido-a “no silêncio dos edredons”. Pelo discurso, o vereador fez um pedido de desculpas que não foi bem aceito pelos manifestantes e pelo prefeito. O presidente da Câmara entretanto, disse na ocasião que com as desculpas “já estaria jogada areia naquela situação”.

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