Desafiando EUA, Maduro continuará plano para manter-se no poder na Venezuela

Silvio Ferreira, com informações Reuters

O governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, prometeu nesta terça-feira (19) seguir com planos de substituir a atual Assembleia Nacional e escrever uma nova Constituinte, em seu projeto de se manter no poder, apesar das ameaças de sanções econômicas dos Estados Unidos.

Maduro segue com plano de ter “sua” própria Assembleia Nacional Constituinte – Foto: O Globo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última segunda-feira (17) que irá tomar “fortes e rápidas ações econômicas” caso Maduro siga seu plano de reescrever a Constituição venezuelana e substituir autoridades contrárias ao seu governo, institucionalizando assim, um regime totalitário.

Quase 100 manifestantes contrários ao regime de Maduro – que pedem há quatro meses por novas eleições presidenciais, liberdade para centenas de ativistas presos, independência para a Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) e o socorro internacional – foram mortos desde o início dos protestos contra o governo que levou o país a um colapso econômico.

No último domingo, a oposição levou 7,5 milhões de venezuelanos a um referendo informal no qual 98% dos eleitores reprovaram a pretensão de Maduro de criar uma Assembleia Constituinte submissa ao presidente – já que a atual Assembleia Nacional venezuelana é dominada pela oposição ao chavista. O projeto de realizar uma nova Constituinte é classificado pela oposição como “a consagração de uma ditadura” no país sul-americano membro da Opep.

Criar uma Assembleia Constituinte submissa ao regime pode ser a última cartada de Maduro para evitar ser massacrado nas urnas. Foto: Estadão

Analistas políticos consideram esta a última esperança de Maduro, como líder do Partido Socialista Venezuelano, de não ser massacrado nas próximas eleições, devido a quase completa reprovação de seu governo por uma população desesperada pela falta dos gêneros mais básicos, como alimentos e produtos de higiene.

Pedidos para cancelar a Assembleia e manter a programação de eleições presidenciais foram feitos ao redor do mundo, incluindo da União Europeia e grandes países da América Latina.

“A Assembleia Constituinte deve ser abandonada para alcançar uma solução negociada, segura e pacífica na Venezuela. O mundo inteiro está pedindo isto”, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em publicação no Twitter. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump classificou Maduro, que venceu por pouco a eleição de 2013 para suceder o falecido Hugo Chávez, de “um líder ruim que sonha em se tornar um ditador”.

O ministro das Relações Exteriores, Samuel Moncada, disse que a votação de 30 de julho – que os opositores afirmam criará apenas uma Assembleia Constituinte de fachada, subserviente aos interesses de Maduro – seguirá. “Este é um ato de soberania política pela República. Nada e ninguém pode parar isto”, disse a repórteres.

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