Deputados de MS estão “em cima do muro” sobre denúncias contra Temer

Da Redação/JN

Dos oito parlamentares que representam Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, quatro não se pronunciaram ou não sabem como vão votar sobre a continuidade das denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB). São eles Mandetta (DEM), Geraldo Resende (PSDB), Elizeu Dionizio (PSDB) e Tereza Cristina (PSB).

São favoráveis à aceitação da denúncia contra Temer os deputados Dagoberto Nogueira (PDT), Vander Loubet (PT) e Zeca do PT. O único a manifestar voto contrário à continuidade da denúncia é Carlos Marun (PMDB).

Todos os 513 deputados foram entrevistados sobre o tema pela Folha de S. Paulo. O resultado foi divulgado pelo jornal na edição deste domingo (2).

Cabe à Casa dar ou não aval para que o STF (Supremo Tribunal Federal) possa aceitar a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria Geral da República) e abrir ação penal. Seriam necessários no mínimo 342 votos. Nessa hipótese, Temer seria afastado por até 180 dias para ser julgado.

Segundo a reportagem, só 45 deputados responderam que votarão contra a aceitação da denúncia, entre eles os aliados fiéis Carlos Marun e Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líderes do governo na Câmara.

Já os que declaram apoio à continuidade das investigações somam 130 parlamentares, 212 a menos do que o mínimo necessário para que a denúncia seja aceita. Outros 112 afirmaram que não sabem ainda como votarão e 57 não quiseram se posicionar.

Entre os deputados do PMDB, o número dos que se declararam contrários ao prosseguimento da denúncia é igual ao daqueles que afirmaram não ter posição formada a respeito do caso: 18.

No DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), nenhum deputado declarou que votará contra a denúncia. Três não quiseram se pronunciar, 13 disseram estar analisando a peça do Ministério Público e 11 não responderam à enquete. Maia declarou que não votará.

Um parlamentar da sigla chegou a afirmar à Folha, em caráter reservado, que gostaria de votar com o governo, mas que a acusação é grave e necessita de análise.

Parte dos parlamentares tomou chá de sumiço: 168 foram contatados repetidamente pela reportagem desde terça (27), mas não responderam aos telefonemas e e-mails.

A maioria é de partidos da base aliada, como o próprio PMDB, que contabilizou 25 sumidos, PR, com 16, PP, com 15, ou PRB, com 12. O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), não respondeu à pesquisa.

Muitos dizem esperar decisões partidárias para declarar voto. A posição de cada sigla ou a liberação do voto aos parlamentares deve ser discutida nesta semana.

“É um equívoco isso de ‘vou votar com a minha consciência'”, afirmou Marcus Pestana (PMDB-MG), um dos que esperam manifestação da legenda. “É preciso votar com a coletividade do partido, ele existe por uma razão.”

Parte dos deputados afirmou que espera manifestação da defesa de Temer, e um terceiro grupo diz que só se posicionará após o relatório da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde a peça será analisada primeiro.

Outra explicação para a reticência de aliados pode estar na popularidade do presidente, que caiu a 7% –a menor em 28 anos, segundo o Datafolha–, já que a maior parte dos parlamentares deve tentar a reeleição em 2018.

Mesmo tendo decidido em reunião no início de junho permanecer na base de Temer, o PSDB segue rachado. Entre seus 46 deputados, oito declararam que votarão pela continuidade do processo. O número é maior do que o daqueles que se disseram contrários à denúncia, cinco.

A liderança do partido já afirmou que deve reunir a bancada para decidir como votar após o final da análise da denúncia na CCJ, que começará nesta semana.

Após passar pela comissão, a denúncia segue para votação no plenário. Para evitar o afastamento, Temer precisa que pelo menos 172 deputados votem “não” à denúncia ou simplesmente não compareçam à sessão.

A tarefa, porém, pode não ser tão fácil: a votação será nominal, e há, mesmo entre aliados, a avaliação de que os parlamentares que não aparecerem para votar podem sofrer pressão do eleitorado.

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