Deputados de MS culpam governo federal por confronto e morte de índio em Caarapó

Foto: Roberto Higa - AL/MS
Foto: Roberto Higa – AL/MS

O novo conflito agrário entre fazendeiros e indígenas, que ocorreu em Caarapó, sul de Mato Grosso do Sul, provocando uma morte e diversos feridos na tarde de ontem (14), teve reação dura dos deputados estaduais na sessão ordinária desta quarta-feira (15), da Assembleia Legislativa de MS. A maior parte das criticas foram dos parlamentares ‘ruralistas’, que denominaram a ação sendo consequência de organizações criminosas e de irresponsabilidades do governo federal. Mas também, pelo lado dos indígenas, houve defesa ou avaliação da grave situação por qual passa os índios de todo o Estado. A bancada do PT apresentou uma moção de repúdio pela morte ocorrida de um indígena na fazenda Yvu, próximo a aldeia Teýikuê, do município que fica a 283 km de Campo Grande.

Para a deputada Mara Caseiro (PSDB) este é mais um caso da herança do então governo petista, que sempre falou muito no assunto, mas não fez nada de concreto ou piorou a situação mentindo aos indígenas prometendo ou dando uma ‘terra prometida’, que não é deles ou se foi, foi retirada por erro do próprio Estado, que não pode ser usurpada hoje, de quem pagou, trabalhou e produz a riqueza do País. “Este caso é um ou último exemplo claro, da irresponsabilidade dos governos do PT, com a senhora Dilma -Roussef, presidente afastada – que tomou grave atitude em seu último ato de governo e lançou novas áreas ditas indígenas para ser tomada dos produtores. Este partido, que lutava por isso e passou 14 anos no Poder e nada fez, além de gerar mais conflitos com os discursos separatistas e abertura para enganação dos índios, que também são até vitimas, disso tudo”, disse.

Mara ainda foi enfática em acusar governos e entidades como CIMI (Conselho Indigenista Missionário) como provocadores do conflito. “Vimos na CPI que este CIMI é crimonoso, são uma organização criminosa, e todos ligados a falsa ‘causa indígena’, fazem sensacionalismo, querem ir parar na TV Globo, para fazer a versão deles, que até conseguem que se torne verdades pelo mundo a fora. Mas, temos que ver e mostrar que aquele governo, eles, só fizeram provocar ódio, divisão, mentindo para os indígenas. Pois não é cometendo outro ato injusto para corrigir algo possivelmente errado feito no passado pelo próprio Estado, para dar terras produtivas para se tornar sem produção alguma”, discursou.

O deputado Renato Câmara (PMDB) abriu sua fala dizendo que Caarapó e MS estão de luto e que os dois lados são vitimas de um Estado omisso. “De um lado os índios, buscando algo que foi ou é deles, que prometem dar o que não lhes pertencem. Do outro os fazendeiros, procurando resgatar patrimônio, em defesa da construção de suas vidas. Dois que são inocentes. O único culpado é o governo federal, em especial lá, onde a então presidente, em último ato assinou a ‘devolução’ da terra. Isto levou mais prejuízo e levou mais conflito a região, que explodiu ontem e que tem colocado a mesma nação em guerra. O governo deste ou daquele que estiver lá, tem que ter posição e definir isto que vem de décadas, século já, mais deixa ainda hoje ou a cada dia mais um Brasil em guerra, causando angustia, medo e mortes”, comentou.

Vergonha

O deputado coronel David (PSC) foi curto e enfático ao comentar também que entre os dois lados, no meio ficou e teve policiais militares agredidos e feridos. “Os PMs forma para ajudar e acabaram por serem feitos reféns, foram agredidos e sofreram nas mãos de pessoas descontroladas. Enquanto os entes federal, o governo federal não tomar vergonha na cara para encaminhar alguma resolução, resolver algo sério e concreto para esta situação. Sempre houve, ministro da Justiça veio aqui várias vezes e só fez longas reuniões, falou muito e nada se fez”, avaliou.

Para a bancada petista, que lançou a moção de repúdio, e, que defende mais o lado indígena, como alguns outros deputados, a situação é vergonhosa e não se pode ver lados, mas todo o contexto e principalmente de quem mais sofre e acaba pagando com a vida. “Sempre avaliamos e foi encaminhado diversas ações para contribuir com os dois lados, e na maioria das vezes não é aceito por quem detêm mais recursos e voz. Buscamos o entendimento e lutamos ou falamos mais por quem não tem com quem falar e dentre tudo sempre, sempre ou até hoje, é quem sofre, paga com a vida diante as balas de armas, que sabemos de quem é, mas nunca se assume a culpa de quem puxa o gatilho, diante a outro desarmado”, relatou deputado do PT.

A Moção tem a intenção, segundo o líder do PT, no Legislativo Estadual, de ser encaminhada para ao menos registro do Ministério da Justiça, MPF (Ministério Público Federal) e Polícia Federal. Com a segunda maior população de índios do País, o Estado já foi palco de diversos conflitos por terra entre indígenas e produtores rurais, muitos deles resultado em mortes de índios.

Conflito

Nesta terça-feira, ao menos oito pessoas ficaram feridas, das quais cinco índios e três são policiais. O indígena-agente de saúde, Clodioudo Aguile Rodrigues dos Santos acabou morto no conflito.

Desde a noite de domingo (12), mais de mil indígenas da aldeia Te’yikuê, ocuparam a fazenda Yvu. Produtores foram até o local para tentar libertar funcionários que estariam sendo mantidos reféns e houve confronto, resultando na morte, duas pessoas queimadas e outros feridos.

Depois do confronto, os índios bloquearam a estrada MS-280, que corta a aldeia Te’yikuê. Revoltado por não conseguir passar, o motorista de um caminhão teria jogado o veículo contra os índios, que teriam colocado fogo no veículo.

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