Deputado denunciando “barril de pólvora” em presídios recebe noticia de envenenamento de agentes

O perigo eminente para a Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, devido a situação precária dos presídios do Estado, em especial da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, foi denunciado “como um barril de pólvora”, pelo deputado Pedro Kemp (PT) na tribuna da Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (20). O parlamentar falou da super lotação e péssimas condições dos locais, tanto aos detentos e acima de tudo aos servidores. Ele pediu soluções e anunciou apoio aos servidores, que não tem mais como trabalhar e a que recorrer, a não ser paralisar as atividades no dia 02 de maio, conforme já marcada greve no setor. Kemp estava discorrendo o assunto, quando foi informado via WhatsApp, que havia ocorrido um envenenamento de diversos agentes penitenciários, a mando de facção criminosa

“É preciso que haja providência mais que urgente do governo. O barril de pólvora está para explodir, super lotado, com péssimas condições que está até para ser interditado pela Vigilância Sanitária. Estão com precárias instalações e condições de trabalho dos agentes. Já são três mortes de detentos em 20 dias e rebeliões que até não saem na mídia, que não ficamos sabendo, mas que partiu a ficar evidenciada na semana passada, que além de tê-la passou para a rua e foi fazer o terror na Capital, com os incêndios de ônibus”, discursava Kemp.

O parlamentar pausou o discurso para receber a noticia do envenenamento dos agentes. Ele ficou consternado, deixando também um ar apreensivo no plenário, e, reafirmou o que seria mais uma prova da situação de calamidade do sistema. “Acabo de receber a noticia, que precisamos confirmar oficialmente. Mas diversos agentes tomaram veneno em água ou café, que foram envenenados por detentos. A situação é de extrema urgência que seja tomada uma posição. O numero reduzido de agentes já é um problema ao dia a dia e que muito deve ter contribuído para esta situação de livre acesso para até envenenar substancias de acesso dos servidores”, pontuou Kemp, que foi aparteado pelo colega Cel. David (PSC) que confirmou o envenenamento como já ter recebido informação oficial da área de Segurança do Estado.

Kemp que havia anunciado a data de greve, apontou que mais este fato vai contribuir para que o movimento seja mesmo deflagrado ante o que ele imaginava ter alguma negociação que poderia intermediar. “A eminência da greve para o dia 02 que era um indicativo bem próximo, agora deve ter confirmação sem nenhuma negociação. O que já era uma questão de perigo com as rebeliões que ficam em voga no período do dia das mães, será uma alerta total que deveremos convocar. Tem que ser feito alguma coisa”, apelou o deputado.

Uma questão também do governo federal

O deputado Beto Pereira (PSDB) aparteou o petista ressaltando que parabenizava o colega pela questão levantada. Mas que ele apresentou somente o problema final e que também deveria apontar as causas, que em MS é mais ligada a questões de Segurança Nacional. “Me congratulo com o assunto de extrema importância. Mas além do problema em si que chega ao final, temos que lembrar das causas, onde 5 mil presos de MS seriam de responsabilidade do Governo Federal. Temos uma causa na fronteira, trafico de drogas e contrabando. E apesar de ser solicitado muito, não há nada de especial de atenção do governo federal. A União tem que ver esta situação e ter uma política diferenciada para os Estados na fronteira”, apontou o tucano.

O líder do governo, Rinaldo Modesto (PSDB), concordou com Kemp, mas falou de algumas ações do governo do Estado e também ressaltou a questão da fronteira. “O atual governo elencou a Saúde e Segurança Pública como prioridade. Não há nenhuma má vontade, pelo contrario, há uma luta árdua para buscas de soluções. A atual administração já trouxe milhares de novos policiais e bombeiros militar aos quadros funcional. Fechoui e ou esta reformando o Cepol e delegacias que estavam com paredes escoradas. Mas tudo isso, sempre será pouco diante da situação que ocorre no País todo e em especial fica ou esta ficando mais grave em nossa região devido aos crimes decorrentes da fronteira, que não temos como agir e o governo federal ou o Estado brasileiro deixa sem guarnição e ações duradouras”, mencionou.

Intoxicação – envenenamento

A questão na Penitenciária de Segurança Máxima “Jair Ferreira de Carvalho”, ocorreu mesmo com a intoxicação de cinco servidores durante café da manhã desta quarta-feira (20), feito por dois detentos da unidade, em Campo Grande. Quatro servidores foram encaminhados para o Hospital El Kadri e um, cujo estado de saúde inspira mais cuidados, à Santa Casa.

O presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul), André Luiz Santiago, explicou que a garrafa de café foi levada à passarela que dá aceso ao pavilhão, onde ocorreu a intervenção na semana passada. “Os agentes tomaram o café e em seguida passaram mal.Eles tiveram vômito, diarreia, pressão alta, tontura e até desmaio”, diz o sindicalista. A ordem é que o agentes penitenciários não se alimentem da comida confeccionada pelos internos. “A orientação é de que eles não consumam nem a água da unidade”, informa.

O café e vários produtos da cozinha estão sendo periciados. Os presos responsáveis pelo café da manhã de hoje prestam depoimento ao delegado da 3ª Delegacia de Polícia Civil, Fabiano Nagata, que está na unidade. A suspeita é de que os presos podem ter usado medicamentos controlados que eles tem acesso. Foi encontrado na garrafa de café um pó branco.

O envenenamento dos agentes, ocorreu seis dias depois dos ataques a ônibus na Capital. Na última quinta-feira (14), os atentados a ônibus começaram após tumulto ocorrido durante treinamentos dos agentes penitenciários recém-formados no curso de intervenção rápida na unidade. Houve reação dos presos e um deles, Bruno de Melo Garcia, 19 anos, teria ordenado que fossem feitos os ataques. No total, dez pessoas acusadas de envolvimentos estão detidas.

Outras ameaças

O presidente afirma ainda de que desde ontem, agentes estão recebendo bilhetes com ameaças. O clima na penitenciaria está tenso. “São aproximadamente 2.300 internos para cerca de 7 a 8 agente de plantão”, lamenta Santiago.

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