Deputado denunciado pelos irmãos da JBS, apresenta defesa e ataca empresários

Lúcio Borges

(Fotos: Victor Chileno – AL/MS)

A delação premiada dos irmãos Batista, da JBS, envolveu também, ao menos, um membro do Poder Legislativo de Mato Grosso do Sul, o deputado e primeiro secretario da Casa de Lei, Zé Teixeira, que foi citado na denuncia de propinas pagas no Estado. O caso do parlamentar é o mesmo que atingiu diretamente o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e os ex-governadores Andre Pucinelli (PMDB) e Zeca do PT, nas questões relativas as irregularidades em isenções fiscais que foram feitas mediante ao pagamento ou percentual dado aos titulares do Executivo, bem como na liberação de notas fiscais falsas para maquiar transações, mesmo que oficiais.

O deputado estadual, que hoje já havia negado para a imprensa ter recebido a ‘tal propina’, deu explicações em particular aos demais colegas e por fim subiu a tribuna da AL-MS (Assembleia Legislativa de MS), nesta terça-feira (23), para fazer duríssima critica ao grupo empresarial: ‘JBS combinou com demônio para acabar com o Brasil’, e, para desqualificar a suposta irregularidade, ao detalhar seus números sobre a venda de bois à empresa. Teixeira afirmou ter toda documentação para provar e rebater a delação, que segundo os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa, o deputado emitiu duas notas, em 16 de setembro e 28 de outubro de 2016, no valor total de R$ 1,692 milhão.

“Em todo minha vida política, não recebi nunca dinheiro de propina de nenhum empresário. A minha questão pessoal, de negócios, tem todos e ou como no caso dos animais vendidos para a JBS têm nota de entrada, GTA (Guia de Transporte Animal), guia de sanidade animal, além de comprovantes do recolhimento do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário do MS) e do depósito do pagamento em banco, por parte da empresa”, ressaltou Teixeira.

Foto: Victor Chileno

O presidente da Assembleia, deputado Junior Mochi (PMDB), disse que a documentação de Zé Teixeira foi disponibilizada por ele, fornecida ou está à disposição dos deputados. Bem como, que a encaminhará ao corregedor-geral da casa de leis, o deputado Maurício Picarelli (PSDB). Este, por sua vez, afirmou que, por enquanto, não existe nenhum processo contra o deputado e que os documentos foram encaminhados por Teixeira a título de explicação.

Números e sequência

O deputado, na qualidade de pecuarista, disse que em 2015, recebeu R$ 2.110.945,00 relativos à venda de bois – não esclareceu a quantidade, neste caso. No ano seguinte, em 28 de outubro, 120 bois foram vendidos, recebendo R$ 265.934,00 pela venda e R$ 1.741,00 a título de pagamento do Fundersul. Outra venda aconteceu no mesmo mês e ano, quando a JBS comprou 630 bois por R$ 1.426.143,00 – já o imposto pago foi de R$ 7.041,00.

Teixeira até afirmou que não deveria nem dar as explicações, que envolvem sua vida e negócios pessoais, pois devia satisfação para os clientes que compram seus animais e sociedade. Mas, como homem público também fala, para não ser colocado ou jogado na vala de suspeitos e até acusado, réu, mesmo que da opinião pública.

Contudo, afirmou que não se desgastará e não seguirá com o assunto, que apesar da gravidade da acusação, não entrará na Justiça contra a empresa, que fez ou levou ao campo político toda questão criminal. “Sou um grão de areia no meio de toda esta lama. Não faço parte desse lamaçal, assim não continuarei no campo Judicial, para não dar chance de me jogarem no meio. Mas, estarei aberto e abrindo minhas contas e documentos, como forma de comprovar inocência”, declarou.

Por fim, afirmou não entender porque está sendo acusado pela JBS e que os incentivos fiscais fazem parte “da lógica de todos os estados para atrair”. “A venda de todos os animais que faço está documentada e declarada, com notas, guias e recolhimento à disposição”, disse.

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