Delcídio se diz vítima de armação e acredita que vai manter mandato

Solto no último dia (19), depois de passar 87 dias preso, por decisão do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal)., o senador Delcídio do Amaral (PT) foi o entrevistado desta segunda-feira (29) do programa Tribuna Livre da Capital FM. Ele Falou do que sentiu ao ficar em uma cela e quais são os planos para o futuro. Na entrevista, por telefone, falou da importância da família, da defesa que pretende fazer, da relação com os amigos e com colegas de partido.

Delcídio em entrevista ao Tribuna Livre Foto Arquivo
Delcídio em entrevista ao Tribuna Livre Foto Arquivo

O petista destacou que tem plena convicção sobre sua defesa em processo por quebra de decoro parlamentar no Senado Federal. “O processo tem vícios de origem graves”, comenta, em relação à decisão de prendê-lo.

Apesar dos vários dias presos e com situações constrangedoras, como o afastamento do partido e votação esmagadora no Senado para que permanecesse preso, o senador afirmou que sai sem mágoa ou revanchismo. Ele também não descartou continuidade na vida política.

Segundo Delcídio, não procedem informações de que ele teria coagido colegas de parlamento em troca de garantir a manutenção de seu mandato. Sem citar nomes, atribuiu as notícias a jornalista que teria agido por vingança, após tentativa frustrada de entrevistar, à força, a mãe do parlamentar: “criou constrangimento para uma senhora de 80 anos”.

A confusão teria ocorrido em um hotel de Brasília (DF). O estabelecimento teria sido invadido pelo jornalista: “lamentavelmente, neste Brasil, que está de cabeça para baixo, este tipo de coisa acontece”, comentou o senador.

Sobre o processo que enfrenta no STF e no Senado, Delcídio apontou erros na investigação desde sua origem. “Eu fui gravado ilegalmente, sem autorização do STF”, apontou. “A conversa que eu tive com a família do Cerveró foi particular, não tinha a ver com meu mandato como senador. Fui apenas socorrer uma família que estava angustiada”, pontuou.

Matéria da Folha de São Paulo deste domingo, mostra que através de e-mail enviado ao senador, Bernardo, filho de Cerveró, pediu ajuda para o parlamentar após a prisão de seu pai, em janeiro do ano passado.

Em depoimento de Bernardo à PGR (Procuradoria Geral da República) no fim de 2015, Bernardo diz que a procura por Delcídio estava relacionada com os habeas corpus impetrados pelo advogado Edson Ribeiro, que pleiteava a soltura de Cerveró.

“Isso mostra mais uma vez que agi de boa fé, e Bernardo que eu conheço desde de criança armou esta situação, que é ilegal pois não teve acompanhamento dos órgão competentes”, pontou ao falar da gravação que o levou à prisão

Também afirma que a acusação de integrar organização criminosa, junto a um banqueiro, seu chefe de gabinete e com o advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, não foram apontados pelo Ministério Público Federal na denúncia e, portanto, impedem que ele fosse preso em flagrante e tornasse o crime inafiançável.

Delcídio tirou licença para cuidar da saúde e, nas palavras dele, “zerar o jogo” para voltar bem ao Senado. Disse que foi “compulsoriamente obrigado”, principalmente pela família, a se submeter a bateria de exames, exigindo o afastamento das atividades parlamentares no momento.

O senador conclui a entrevista falando dos dias na prisão. Ressalta que leu muito, com objetivo de manter a mente ocupada. “É uma experiência muito difícil, para qualquer pessoa”, resumiu.

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