Delcídio depõe hoje, após dormir em sala especial da PF

Delcídio Amaral depõe hoje na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após passar a noite em uma sala separada dos demais presos.

Ailton de Freitas | Agência O Globo
Ailton de Freitas | Agência O Globo

Ele só não foi ouvido ontem porque a defesa pediu que tivesse acesso aos motivos da prisão.

Além de ter prerrogativa a uma sala especial, a PF em Brasília não tem carceragem, apenas algumas celas onde estão os presos da Operação Dubai, ocorrida na terça-feira.

Não se trata da mesma sala onde ficava José Roberto Arruda.

Delcídio só será transferido por autorização de Teori Zavascki, a pedido da defesa, do Senado ou da própria Polícia Federal. Ou seja: por enquanto, ele continua preso na PF.

Ainda na noite de ontem, por volta das 20h30, o Senado decidiu, por 59 votos a 13, a permanência da prisão do senador Delcídio.

REPERCUSSÃO

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, Dima Rousseff (PT) decidiu, depois de conselhos da cúpula política, que o Governo Federal não irá atacar ou isolar Delcídio. Segundo a reportagem apurou, o governo teme que Delcídio use, nas palavras de um ministro, “até mesmo de mentiras” para atacar diretamente o Palácio do Planalto e, por isso, a ordem é ter cautela.

Auxiliares de Dilma foram avisados na noite de terça-feira (24) sobre a prisão do senador. Ao tomar conhecimento dos fatos, a presidente demonstrou preocupação com o efeito que isso teria sobre votações importantes no Congresso e sobre sua imagem e a de seu governo.

Delcídio era um dos principais articuladores do governo no Legislativo, com trânsito entre parlamentares da base aliada e da oposição, e participava da maior parte das reuniões de coordenação política do Planalto, realizadas às segundas-feiras e comandadas pela presidente.

Horas após a prisão do senador, Dilma reuniu em seu gabinete no Palácio do Planalto os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Comunicação Social) para fazer uma avaliação do cenário.

Após examinar o conteúdo das falas de Delcídio, gravadas em um áudio entregue à Procuradoria-Geral da República, Dilma ordenou que, oficialmente, o governo dissesse que foi “surpreendido” pelos fatos e defendesse “a autonomia das investigações”.

 

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