Dagoberto do PDT ameaça candidatura de Alex do PT a prefeitura da Capital

Foto: divulgação Câmara
Foto: divulgação Câmara

A candidatura a prefeito de Campo Grande do vereador Alex do PT, após extensa negociação no partido para ser consenso, voltou a correr risco de não ser concretizada. O pleito do parlamentar as eleições 2016, passou a ser ‘preterida’ nos últimos dias, por alguns lideres da sigla, devido ao retorno a lista de prefeitáveis do deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT). Apesar de ser de outro partido, mas fazendo parte do chamado ‘campo popular’, o pedetista conta com a simpatia de estrelas petista, como o agora colega de parlamento, Zeca do PT, que até já agiu publicamente e fez menção de apoio a Nogueira. Para Alex, que falou com Página Brazil ontem, nada mudou, estando na disputa com nome para ser homologado na convenção, e que poderíamos ratificar matéria já divulgada por nossa reportagem em abril, de que é candidato, e que a decisão é geral do partido e não de alguns caciques.

O PDT até já havia lançado o nome de Tereza Name, mas o deputado federal voltou a constar para entrar na disputa, porque no inicio do mês voltou a ser “ficha limpa”, livrando-se de condenação em primeira instancia, de processo que respondeu de quando foi secretario de Estado, no governo de Zeca. Dagoberto, mesmo ainda exercendo mandato, até então não poderia se apresentar como candidato nesta eleição, devido ter sido condenado por um colegiado, que o impedia de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Contudo, ele recorreu, sendo absolvido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na ação em que era acusado de envolvimento em esquema de desvio de cerca de R$ 30 milhões, praticado por empresa contratada quando respondia como diretor-presidente do Detran.

Com este novo cenário, apesar de já ter anunciado Alex do PT, como pré-candidato a prefeito, certas lideranças do PT não descartam um eventual apoio ao deputado do PDT, no pleito eleitoral. O apoio, vem nada menos, da hoje única maior estrela do partido, o ex-governador e deputado federal, Zeca do PT, que até já fez reunião com a bancada estadual do partido, na semana passada e admitiu que tratou da entrada na disputa de seu aliado de anos. “Agora ele está livre para dar prosseguimento as questões políticas, se trata de um grande aliado e um nome forte na Capital”, declarou Zeca, que ainda lembrou que ele votou junto com o PT, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na Câmara Federal.

Zeca e Dagoberto em campanhas anteriores
Zeca e Dagoberto em campanhas anteriores

Zeca, no último dia 09, na Assembleia Legislativa, se reunir com os deputados petista Amarildo Cruz, João Grandão, Cabo Almi e Pedro Kemp, onde ponderou que em Campo Grande deve se avaliar um fato novo, com a participação de Dagoberto no pleito, que é um grande nome do lado, convicções e perfil do partido. “Temos nosso pré-candidato, mas não podemos descartar esta opção, o Dagoberto é uma referência importante no campo popular, esteve e está sempre conosco. Podemos inclusive avaliar na frente por meio de pesquisas, qual a melhor possibilidade. Mas, hoje na pauta vimos toda conjuntura política municipal, estadual e federal. O partido precisa se preparar para os desafios deste ano”, disse o grã petista. O deputado Amarildo também reconheceu que a eleição municipal segue em discussão entre as lideranças do partido.

Dentro do PT

O então candidato petista, Alex, ratificou nesta quinta-feira (16) sua posição, que aponta já ter sido buscada e concretizada dentro do partido, vendo ainda com ceticismo e critica a interferência ou pratica da ‘politica de caciques’. “Sou o pré-candidato do PT, tenho história e o que apresentar para Capital. Trabalhei para isto, para construir a candidatura no partido. Dialogamos com todos os companheiros que também pleiteavam a posição. Agora não podemos fazer como outros partidos ou até mesmo no PT, como já sofremos, eu já sofri, com decisões de cúpula. Acabou época dos caciques e o partido já decidiu. Estamos até com nosso nome, conversando com outros partidos. O PCdoB, Psol e PHS estamos com boas tratativas e quase fechados, havendo mais espaço para dialogo é logico. O PDT também está incluído”, apontou Alex, que no final de abril já havia anunciado a desistência do deputado Almi e disse ser nome do PT a concorrer a prefeitura.

Biffi
Ex-deputado federal Antonio Carlos Biffi

O presidente regional do PT, ex-deputado federal Antonio Carlos Biffi, afirma que por enquanto nada muda e o Partido dos Trabalhadores mantém a pré-candidatura do vereador Alex. Segundo ele, possível apoio dos petistas, deve ser discutido no segundo turno, que será inevitável. “Ninguém consegue 51% dos votos”, diz. Para vencer em primeiro turno, o candidato precisa ter a maioria dos votos válidos. 

Zeca do PT assinala, porém, que caberá aos partidos, entre os quais o PT, procurar as articulações para defender um candidato forte representando as forças de centro-esquerda.

Histórico de Dagoberto

O deputados federal tem em seu curriculum pessoal, a marca de apoio e até ‘briga’ por todas as candidaturas de Zeca (1998-2002), e até do PT, sendo secretario em seu governo; disputou vagas no Senado em 2010, unindo novamente as duas siglas, quando Zeca voltou a disputar o governo do Estado.

Na questão da então condenação, Dagoberto em 07 de junho, foi absolvido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na ação em que era acusado de envolvimento em esquema de desvio de cerca de R$ 30 milhões praticado por empresa contratada na época em que era diretor-presidente do Detran.

Estando livre desta acusação, o deputado volta a constar entre os possíveis candidatos a prefeito em Campo Grande, com o apoio de partidos de esquerda. Inocentado, Dagoberto Nogueira deixa de ser “ficha suja” e passa a ter respaldo para entrar na lista dos pré-candidatos. “Pode embaralhar a sucessão municipal em Campo Grande”, avalia Zeca do PT, para quem o pedetista é “um nome forte” para a disputa.

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