Crise da prefeitura é culpa da ‘guerra política’ e Solurb, diz Bernal em última prestação de contas

(Foto: Lúcio Borges)

A última prestação de contas da atual gestão da prefeitura de Campo Grande, feita na manhã desta quarta-feira (7) pelo prefeito Alcides Bernal e secretários, fez um raio X da situação da administração, apontando números e problemas criados que devem ficar para o novo Executivo da Capital. O mote da apresentação foi das justificativas do atual prefeito em mostrar ou ratificar discurso de culpa a imbróglios políticos e dividas questionáveis, que estão na Justiça, para justificar a situação financeira da Prefeitura, que ficará de forma considerada negativa. O próximo prefeito Marquinhos Trad, segundo o atual, encontrará dificuldades e terá que fazer muitos ajustes para contornar uma crise, que se não ajustada, pode piorar no município. Os números demonstraram que hoje, a prefeitura basicamente, arrecada para pagar pessoal e custeio da máquina pública, que chegam a 96% dos recursos de R$ 3 bilhões do orçamento.

Bernal foi direto e apontou, que tudo deixado pelo antecessor, Nelsinho Trad ou medidas tomadas no fim do período da então Câmara Municipal, continuadas e ampliadas pela atual Legislatura, contribuiu para aumentar ou mesmo criar mais problemas administrativo-financeiro da Prefeitura. Ele citou, como itens principais: o aumento das despesas com pessoal, com reajustes salarial sem controle e acima da média; os contratos e dividas ‘absurdas’ da Solurb – concessionária de limpeza e coleta de lixo – que estão sendo contestadas; e até Projetos de Economia idealizados por sua gestão, mais barrados por ações de vereadores ou entidades como TCE (Tribunal de Contas do Estado).

“Decisões tomadas durante 2012, acima de tudo nos últimos meses de fim de gestão, que estão castigando a Campo Grande. Foram medidas tomadas ao bel prazer, para agradar grupos e dizer que fizeram a parte dos que estavam na época. Mas, tudo sem planejar ou pensar no futuro, sem pensar ou cumprir LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), sem estudo de impacto econômico para curto e longo prazo administrativo, com aumentos de servidores e contratos indiscriminados. Castigou toda nossa gestão, mais ficou e é permanente, que passará para o futuro prefeito e mais pra frente”, mencionou Bernal.

Ao fim do evento desta manhã, Bernal promete divulgar o relatório completo da realidade financeira do município, inclusive sobre o deficit de R$ 216 milhões referente ao exercício de 2015, e como ficará a Prefeitura ao deixar o cargo no final do seu mandato, em 31 deste mês. Ele apontou ou menciona que o número citado, tem praticamente metade do valor, sendo enviado a Solurb. “É um absurdo criado e ratificado por liminar judicial em favor a uma empresa, que detectamos as coisas erradas e criminosa, que estamos recorrendo. Campo Grande, aguarda o Poder Judiciário dar a melhor resposta, que seja positiva e devolva a administração, ao município o que lhe está sendo retirado. Não é pela ou para nossa gestão, que nem veremos mais. Mas, é pela cidade, que sempre lutamos e a população precisa saber e ficar ciente”, disse Bernal.

(Foto: Lúcio Borges)

Discuso ratificado oficialmente

Bernal, com até sempre fez, foi direto ao culpar a crise política-administrativa e os imbróglios que enfrentou nos quatro anos de sua gestão ao justificar o deficit mensal de R$ 25 a 30 milhões da Prefeitura, que já havia sido detectado pela equipe de transição do prefeito eleito.

“Tivemos a redução de repasses do Governo Federal, a crise econômica nacional, e uma parte da nossa receita vai para a Solurb, por conta da judicialização da dívida da Prefeitura com a empresa, e todo mês temos que fazer depósito de R$ 12 milhões. Essa empresa vai receber R$ 122 milhões – de setembro de 2015 a novembro de 2016 – sem fazer nada ou que em seus serviços medidos/executados são de R$ 5 milhões. Nós contestando na Justiça, que tem que decidir e esperamos a devolução aos cofres públicos, que não poderemos nós utilizar, mas que é do Município. Além disso, CG sofreu um rombo de R$ 1 bilhão deixado pela quadrilha da Coffee Break”, citou o prefeito, que no último caso se refere a então operação do Gaeco, que investigou vereadores e empresários, que foram denunciados por envolvimento em esquema de propinas para fazer sua cassação.

Bernal ainda citou diversos projetos da atual gestão que não foram aprovados ou mesmo barrados por ação de Vereadores, que mesmo sem levar em consideração uma suposta economia, paralisaram ações de beneficio tanto a administração, como a população diretamente. “O caso mais recente ou emblemático é a troca da iluminação pública com a lampadas de LED. Teríamos uma economia de R$ 720 mil/mês e à pedido da Câmara, o TCE, sem analisar se quer as justificativas da prefeitura, suspendeu a ação, já contratada e paga. Fizemos o Aero Rancho, a Moreninha, as Avenidas Bom Pator e Zahran, metade da Afonso Pena, quando fomos obrigados a parar. As lâmpadas estão no pátio da Secretaria e podem ser ainda perdidas, tanto como produto, como pela economia a ser feita na conta mensal, na garantia de uma melhor Segurança Pública, pela beleza da luz. Foi um castigo a Capital,q ue aidna ampliaram com a suspensão da Cosip, que não entra R$ 2,5 milhões mês no caixa e que agora, a Prefeitura tem que tirar dos recursos total”, apontou.

Assim, em resumo, de saída, Bernal culpa a Solurb, a Coffee Break e grupos pela crise por caos nos cofres municipais. À imprensa e convidados, o prefeito apresentou as contas relacionadas ao IMPCG (Instituto de Previdência de CG), balanço financeiro e de obras da Prefeitura como um todo.

Comentários