CPI do Táxi ouviu hoje mais 5 empresários e entra em recesso com presidente “mudando” foco inicial

Lúcio Borges

Componentes da CPI (Foto: Izaias Medeiros -CMCG)

A Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Táxi, instaurada na Câmara Municipal para investigar as possíveis irregularidades na exploração e concessão de permissões do serviço na Capital, realizou nesta sexta-feira (14), seu terceiro dia de depoimentos, chamada de oitivas, onde ouviu mais cinco empresários. Os proprietários falaram aos vereadores relatando que são detentores de vários alvarás, que é o alvo das investigações, mas que entre todos, são os de menores potencial e ainda, que os adquiriram dentro da normalidade e na forma da Lei. A CPI iniciou suas auditorias na segunda-feira (10), ouvindo um empresário, o filho do “rei dos táxis”, que admitiu ter na família 50 alvarás.  (veja matéria bem completa, como o Página Brazil noticiou). O trabalho prosseguiu na quarta-feira (12) ouvindo mais dois empresários e “se encerrou” hoje, veja abaixo, com o quinteto falando sobre inquérito.

Contudo, a Comissão, que foi instalada há quase três meses, em 25 de abril, mas iniciou esta fase somente esta semana, com os oito ouvidos, já parou hoje, pois será suspensa durante o recesso parlamentar, que ocorre neste mês de julho, retornado seus trabalhos no dia 4 de agosto. E ainda, nesta terceira oitiva, além de ouvir os cinco empresários:  Nelson Kohatsu, Maria Helena Startari, Cleoneve Flávio da Silva, Antônio Oliveira dos Santos e Marcia Oshiro, também se ouviu, uma aparente mudança do foco para objetivo final dos trabalhos. Hoje, o presidente da CPI, Vinícius Siqueira (DEM), falou de um modo diferente do objetivo inicial ou do que foi requerido para a abertura da Comissão.

Siqueira mencionou nesta manhã que “Nosso único interesse é melhorar o funcionamento da agência que regulamenta o transporte de Campo Grande, para que a cidade tenha mais segurança e melhor qualidade na prestação desse serviço público que é tão importante. Nosso objetivo é colaborar para que esse serviço seja cada vez mais barato, mais eficiente e mais justo, para que quem tenha esses alvarás sejam os taxistas que utilizam desse serviço e as empresas que prestam esse serviço com excelência”.

O proponente e presidente da CPI, colocou em seu pedido para requerer a investigação, que o objeto era de apurar supostas irregularidades nos serviços de táxi prestados na Capital e, principalmente, se houve negociação financeira de licenças, nos chamados alvarás. “É de notório saber na cidade, que há diversos casos e inúmeros documentos nas mãos de um grupo ou poucas pessoas/proprietários de veículos, o que não seria permitido, mas está em vigor. Siqueira, já apontava e disse desde o inicio, que quer que a Comissão montada investigue o motivo pelo qual 15,5% dos atuais 490 alvarás de táxi concedidos pela Agetran estão nas mãos de apenas dez pessoas”, dizia Siqueira, que tem os colegas Odilon de Oliveira (PDT), como relator;  Júnior Longo (PSDB), Francisco do PSB, e Jeremias Flores (PTdoB), membros do colegiado.

Depoimentos

O empresário Nelson Kohatsu explicou estar no ramo do táxi desde 1982 e afirmou: “Tenho dois filhos, entrei no ramo para pagar os estudos dos meus filhos, meu irmão é um dos primeiros taxistas da cidade e graça ao táxi ele conseguiu formar os seus quatro filhos, eu entrei no negócio com mesmo intuito. Eu, hoje, tenho sete permissões, que conquistei ao longo dos anos com meu trabalho. Em 2012 eu abri uma empresa e adquiri três táxis, através de transferência dentro das normativas da agência competente, os quatros veículos restantes estão no nome dos meus familiares e, atualmente, eu administro a empresa”, contou.

Já a empresária Maria Helena Martins Startari, que compareceu na CPI voluntariamente, em sua fala destacou; “Eu nasci de família de taxistas, eu iniciei no ramo do táxi em 1989, hoje, por força tenho três permissões de funcionamento. O primeiro alvará que obtive eu passei para meu filho, o segundo alvará adquiri de uma pessoa que não queria mais trabalhar na profissão e, com o falecimento do meu pai em 2008, tive que abrir uma empresa, minha mãe uma senhora de idade, sem carteira de motorista, não podia gerir o táxi que ele possuía, aí abri a empresa para administrar esse táxi, por fim, meu filho estabilizou na sua profissão como médico e passou seu táxi para que eu pudesse tocar o negócio”, disse.

A empresária Cleoneve Flávio da Silva, disse: “Hoje tenho dois alvarás de funcionamento, eu iniciei em 1989 atuando no ponto da antiga rodoviária e adquiri meu primeiro alvará mediante a transferência dentro da legalidade de um proprietário do veículo que não queria mais atuar no ramo e, meu segundo alvará, consegui através de uma licitação feita pela Prefeitura na época, onde adquiri permissão para atuar no ponto do shopping Campo Grande”, informou.

Segundo o empresário Antônio Oliveira dos Santos: “Tenho a permissão para trabalhar com meus carros nesses alvarás que são da prefeitura, no qual todos os anos têm que ser renovado, se não, não temos direito de explorar o serviço, eu trabalho no Novo Hotel, na Rodoviária e na Rua Sergipe com a Avenida Mato Grosso. Todos os alvarás adquiri através de compras do veículo e benfeitorias dos pontos, todas as transações de veículos foram declaradas em receita. Sou taxista com carteira ativa e acho bom fazermos presença hoje aqui, porque essa imagem de mafiosos, que exploram, eu desconheço, se há exceção eu não sei, mas eu sou uma pessoa que sempre trabalhei, me desgastei, acabei com minha saúde, trabalhando 24 horas na rua para manter minha família com dignidade e honra”, desabafou.

Por fim, a empresária Marcia Oshiro, a última ser ouvida na CPI desta sexta-feira, ressaltou: “Tenho dois alvarás de funcionamento, desde 2004 trabalho no aeroporto e, através de um acordo entre irmãos, recebi o segundo alvará, porque meu irmão queria seguir outros rumos, com isso, abri empresa para ficar com os dois alvarás. Atualmente, por problemas de saúde na família, administro a empresa com quatro auxiliares de táxi, atuando no ponto do Aeroporto e no ponto do Hotel Vale Verde”, informou.

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