Corinthians mantém alto gasto com futebol em 2016 e demora a sanear contas

Nem uma receita recorde no primeiro semestre foi capaz de equilibrar as contas do Corinthians em 2016. Isso porque o clube manteve altas despesas com o futebol apesar do desmanche do time e da campanha ruim na temporada. Assim, a agremiação alvinegra deve fechar no vermelho de novo neste ano. A notícia boa é que R$ 70 milhões em dívidas foram pagas, segundo a diretoria.

O clube divulgou os seus números financeiros até maio de 2016, o que retoma a transparência nas contas não vista nos últimos anos. Neste período, o Corinthians teve uma receita total de R$ 293,8 milhões, considerando futebol e clube social. Um valor praticamente igual a todo o ano passado graças aos aumentos das cotas de televisão e à venda de boa parte do elenco que rendeu R$ 89 milhões. Com isso, foi possível reduzir dívidas, mas não evitar o déficit no final do ano.

”Não devemos repetir essa receita no segundo semestre. E, infelizmente, temos as despesas do clube e o superávit do início será usado para pagá-las”, explicou o diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovezan. ”Não acredito que tenhamos superávit no final do ano. Temos muitos encargos para pagar, folha, 13º. Só isso já come o superávit inicial.”

O problema é que, mesmo com a saída do forte elenco de 2015, a despesa com o futebol continuou bem alta. Foram R$ 148,8 milhões em cinco meses com o departamento, enquanto foram R$ 250 milhões em toda a temporada passada. Se fizermos a conta proporcionalmente, houve aumento de 40% no gasto com o futebol.

Há ressalvas. Estão incluídas nas despesas R$ 49 milhões com participações em vendas de jogadores e compras de novos atletas, valor que era de R$ 34 milhões em 2015. Ou seja, aumentou a despesa porque vendeu mais. Mas o item ”pessoal”, que inclui a folha salarial, também teve aumento: foram R$ 55 milhões em cinco meses, quando eram R$ 115 milhões em 2015.

”A folha é um pouco menor do que ano passado. Mas, quando vamos fazer uma rescisão, tem que pagar e isso custa dinheiro. Tem reflexo na folha. Um que tinha salário de 100, por exemplo, tem custo de 200 para sair”, contou Piovezan.

Ele lembrou que o desmonte da comissão técnica, além do prejuízo técnico, gerou despesas com direitos trabalhistas para Tite e todo o restante do grupo. E isso nem está contabilizado no balancete que vai até maio. Mas, pelo menos, o Corinthians reduziu despesas com serviços de terceiros, isto é, direitos de imagem, que ficaram em R$ 10 milhões contra R$ 30 milhões em todo o ano passado.

A melhor notícia, no entanto, é a redução da dívida. Até maio o desconto é pequeno: apenas R$ 14 milhões, o que levou o número para R$ 438 milhões. ”Mas atualizada a redução da dívida chega a R$ 70 milhões até agora no ano”, disse Piovezan.

A maior parte do valor pago eram dívidas do próprio futebol feitas pelo mesmo grupo que está no poder do presidente Roberto Andrade. Isso inclui comissões para empresários, direitos de imagens de jogadores, contratos, fornecedores. Tudo fruto da gastança do passado que o atual departamento financeiro tentar evitar que se repita com um novo sistema de controle de orçamento, feito eletronicamente e por caixa. Não dá para esperar, portanto, um Corinthians estelar para 2017.

”A gente vai ter uma discussão dentro do planejamento financeiro. No futebol atual não dá para dizer que vai pagar R$ 10 milhões sem dizer como. Vai ter reforços, mas com os pés no chão com o que a gente pode pagar”, concluiu Piovezan.

Fonte: UOL

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