Copom se reúne hoje, e mercado prevê juro estável em 6,5% ao ano

G1/JN

Com o ritmo fraco de crescimento da economia e a inflação controlada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) deve manter nesta quarta-feira, dia 20 de março, a taxa básica de juros da economia brasileira estável em 6,5% ao ano.

Essa é a aposta da grande maioria dos economistas do mercado financeiro. Se confirmada, será a oitava manutenção seguida da taxa Selic, que permanecerá no menor patamar da série histórica, com início em 1986. A decisão será anunciada por volta das 18 horas.

Será a primeira reunião Copom comandada pelo novo presidente do BC, Roberto Campos Neto, que teve seu nome aprovado pelo Senado Federal no final de fevereiro.

Na cerimônia de transmissão de cargo, na semana passada, o economista, que é neto do expoente do liberalismo Roberto Campos, afirmou que buscará manter a inflação baixa e controlada e defendeu a autonomia formal da instituição.

Em relatório, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, avalia que o novo presidente do BC sinalizou, em seus discursos, continuidade com a administração anterior, o que corrobora a visão de taxa Selic estável nesta reunião do Copom.

A principal missão do Banco Central é controlar a inflação, tendo por base o sistema de metas. Para este ano, a meta central de inflação é de 4,25%, podendo oscilar entre 2,75% a 5,75%, e, para 2020, é de 4% – com intervalo de tolerância de 2,5% e 5,5%.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros; quando estão acima da trajetória esperada, a taxa Selic é elevada.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,43% em fevereiro. Em doze meses até fevereiro, somou 3,89%.

O mercado financeiro, por sua vez, estimou, na semana passada, que o IPCA somará 3,89% neste ano – abaixo da meta central de inflação de 4,25% de 2019.

PIB fraco

Mesmo com a taxa Selic atualmente no piso histórico de 6,5% ao ano, a economia brasileira resiste em reagir.

Dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados recentemente, mostram que o crescimento ficou em 1,1% em 2018. O desempenho da economia brasileira no ano foi decepcionante diante das expectativas iniciais.

A previsão do mercado para o crescimento da economia neste ano vem caindo no último mês, e, na semana passada, atingiu 2,01%.

Até o momento, a expectativa da maior parte dos economistas dos bancos é de que a taxa Selic permanecerá estável em 6,5% ao ano até o fim de 2019.

Mas, diante desse cenário de projeções de inflação em linha com as metas prefixadas e crescimento vagaroso, alguns analistas já começam a ver espaço para a redução da taxa básica de juros.

“Num ambiente de queda de projeção do crescimento do PIB por inevitável face ao tempo que será dispendido com as discussões no entorno da Reforma da Previdência, e, inegavelmente, não se pode descartar que a taxa Selic, contrariando as expectativas, venha a ser reduzida face a inércia da atividade econômica no período”, avaliou o economista Sidney Nehme, da NGO Corretora, em relatório.

Juros bancários elevados

Embora os juros básicos estejam no menor patamar da série histórica do Banco Central, as taxas cobradas pelas instituições financeiras ainda seguem em patamares elevados.

Reduzir os juros bancários é um dos desafios apontados por economistas para o próximo governo.

Dados oficiais mostram que, em janeiro, os juros bancários médios nas operações com pessoas físicas somaram para 51,4% ao ano. Em algumas modalidades, como no cheque especial e no cartão de crédito rotativo, os juros ficaram ao redor de 300% ao ano.

As altas taxas de juros, atualmente cobradas pelos bancos, inibem o consumo e também os investimentos na economia brasileira, avaliam analistas.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2017, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país.

No ano passado, o lucro dos maiores bancos do país cresceu. É o caso do Bradesco, do Itaú, do Santander, e do Banco do Brasil.

Em audiência pública no Senado Federal no fim de fevereiro, o novo presidente do BC, Roberto Campos Neto, avaliou que o sistema bancário brasileiro não é mais “concentrado” do que em outras economias desenvolvidas, e acrescentou que os bancos do país também são competitivos.

Rendimento da poupança

Se confirmada a nova manutenção dos juros nesta quarta-feira, o rendimento da poupança também deverá permanecer o mesmo.

Pela regra atual, em vigor desde 2012, os rendimentos da poupança estão atrelados aos juros básicos sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

Se o juro básico da economia continuar em 6,50% ao ano, a correção da poupança permanecerá sendo de 70% desse valor – o equivalente a 4,55% ao ano, mais Taxa Referencial.

A queda de rendimento afeta também as aplicações conhecidas como prefixadas, ou seja, que têm por base a Selic.

Segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança continuará sendo uma “excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano”.

Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído o interesse de aplicadores nos últimos anos.

No ano passado, o ouro e dólar foram os melhores investimentos. A poupança ficou na décima colocação.

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