Consumo de agrotóxicos no Brasil cresceu 155% em 10 anos

lançamento de agrotoxicoDados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o uso de agrotóxicos no Brasil quase triplicou entre os anos 2000 e 2012. O motivo, de acordo com o biólogo pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Fernando Carneiro, seria o atual modelo de agricultura voltada para a exportação de commodities.

“Esse modelo baseado na monocultura só sobrevive com alto uso de agrotóxicos e com o advento dos transgênicos isso foi potencializado”, explica o pesquisador durante entrevista a Rádio CBN. Para ele o aumento só beneficia as indústrias já que a área plantada e a produtividade não aumentaram, “a conta não fecha”, diz.

A soja é apontada como o carro chefe do uso de venenos no Brasil. Com a chegada da soja transgênica só a venda do herbicida glifosato subiu 40%. Recentemente a substância foi apontada como possível carcinógeno humano pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc). Carneiro revela que os pesquisadores em saúde coletiva estão apreensivos com a informação, já que 30% da aplicação de agrotóxicos é feita por via aérea e isso pode contaminar de forma direta as pessoas do entorno das plantações, animais, rios e solo.

De acordo com Carneiro, no Brasil, as regras e a fiscalização dos órgãos competentes quanto as margens de segurança do uso de agrotóxicos são muito frágeis, “praticamente não existe fiscalização”.

Uma pesquisa realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostra que 30% do que chega a mesa dos brasileiros contém resíduos de agrotóxicos acima do permitido ou não autorizado, “e isso foi uma média porque existem culturas como a do pimentão que esse nível de contaminação chegou a 90%”, enfatiza Carneiro. uso de agrotoxicos

Uma saída apontada pelo pesquisador, seria um maior investimento do setor público em outros modelos e técnicas de agricultura como a agroecologia que dispensa o uso desses ‘defensivos’ e evita a contaminação do trabalhador, do ambiente e do consumidor. Na opinião de Carneiro se empresas de aporte tecnológico como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) dedicassem parte de suas pesquisas a produção de alimentos saudáveis o Brasil seria uma potencia mundial no ramo.

Na contramão do desenvolvimento mundial – o mercado de orgânicos é o que mais cresce nos últimos anos – o Congresso segue com mais de 20 projetos de lei para liberação do uso de agrotóxicos no país, “sabemos que boa parte dessa empresas financiam muitos mandatos de parlamentares”, critica o biólogo e complementa que é muito importante que a população pressione os órgãos de decisão para reverter esse quadro em nome da saúde e do meio ambiente.

Luana Campos com informações da Rádio CBN

 

 

 

 

 

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